quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Conecta 60

#ciencia #humano #natureza #especiesexoticas #biologia A introdução de espécies exóticas é considerada a segunda maior causa de perda de biodiversidade no mundo, atrás apenas da destruição de habitats. Estima-se que mais de 37.000 espécies já foram introduzidas globalmente pela ação humana. O desastre dos sapos-cururu (cane toads) na Austrália é considerado um dos maiores erros de biologia aplicada da história. Diferente das pítons (que foram um acidente com pets), os sapos foram introduzidos deliberadamente pelo governo em 1935 para uma missão específica, salvar as plantações de cana-de-açúcar de besouros. Os cientistas da época não consideraram um detalhe básico: os besouros viviam no topo das hastes de cana, enquanto os sapos não escalam e preferem ficar no chão. O resultado? Os sapos ignoraram os besouros e passaram a comer tudo o que viam pela frente, insetos nativos, pequenos répteis e até comida de cachorro. O maior problema não é o que o sapo come, mas quem tenta comê-lo. Como o sapo-cururu é nativo das Américas (incluindo o Brasil), os predadores australianos não tinham resistência ao seu veneno potente (bufotoxina). Isso causou uma mortalidade em massa de: crocodilos de água doce, lagartos monitores (Goannas), cobras nativas e o Quoll setentrional (um marsupial raro). Explosão populacional sem controle, sem predadores naturais e com uma capacidade reprodutiva absurda, uma única fêmea pode botar até 35 mil ovos por vez, a população saltou de apenas 102 sapos iniciais para mais de 200 milhões hoje. Na época, o entomologista Walter Froggatt alertou que os sapos se tornaram uma praga, mas as autoridades cederam à pressão política dos produtores de açúcar e seguiram com a soltura. Lição para a Humanidade: Hoje, os australianos tentam soluções desesperadas, como o treinamento de predadores nativos para "não comer" o sapo ou até o uso de feromônios para atrair girinos. O caso ensina que a introdução de uma espécie para controle biológico sem testes rigorosos pode ser pior do que a própria praga original. Aqui estão alguns dos casos mais impactantes e "clássicos" de desequilíbrio: Perca-do-Nilo no Lago Vitória (África), introduzida nos anos 50 para fomentar a pesca comercial, esse peixe predador gigante causou a extinção de mais de 200 espécies nativas de peixes ciclídeos. O impacto foi além da água: para defumar a carne gorda da Pesca, as populações locais cortaram tantas árvores que causaram erosão e alteraram o clima local. Cobra-Arbórea-Marrom em Guam, Coelho e Raposa na Austrália. Mexilhão-Dourado no Brasil e EUA. Javali no Brasil, introduzido para produção de carne e caça. Caracol-Gigante-Africano. Peixe-Leão no Caribe/Brasil. Abelha Africana,cruzou-se com abelhas europeias nas Américas, tornando as colmeias muito mais agressivas e alterando a polinização de plantas nativas. Infelizmente, quase todos os países do mundo já sofreram com invasões biológicas.No entanto, algumas nações enfrentaram crises tão graves que mudaram permanentemente suas paisagens e políticas ambientais. Aqui estão os principais exemplos globais e as espécies que causaram o caos: Estados Unidos (Além da Flórida), Javali no Texas, Carpa Asiática. Mexilhão-Zebra: Originário da Rússia, chegou nos cascos de navios e hoje entope tubulações de usinas e sistemas de água, causando prejuízos de bilhões de dólares por ano. Na Austrália e Nova Zelândia (Os casos mais extremos), o país trava uma guerra contra possums (gambás australianos), ratos e doninhas. Alemanha e Europa Central: Guaxinim (Raccoon), Vespa-Asiática e Cobra-Arbórea-Marrom. No Brasil, Javali, Coral-Sol: invadiu nossa costa e "sufocou" os recifes de corais nativos, competindo por espaço e alimento. Caramujo-Gigante-Africano. Espalhado por quase todo o território, é uma praga agrícola e risco à saúde pública.

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