terça-feira, 30 de setembro de 2025
Conecta 42
#ecologia #humano #altoribeira #valedoribeira #mataatlantica #petar
A privatização do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) é, na realidade, uma concessão de serviços turísticos à iniciativa privada, um modelo que gera opiniões bastante divididas entre moradores, guias e empresários. Não há um consenso sobre ser "bom" ou "ruim", pois existem benefícios claros e preocupações igualmente válidas. Vamos analisar os dois lados. Primeiro, um esclarecimento importante: Não foi uma "privatização" da terra. O PETAR continua sendo um parque estadual, uma unidade de conservação de proteção integral pertencente ao Estado de São Paulo. A Fundação Florestal ainda é a gestora do parque e responsável pela sua proteção. O que aconteceu foi a concessão dos serviços de visitação (como venda de ingressos, recepção, estacionamento, operação de restaurantes e lojas) para uma empresa privada. A concessionária que opera os serviços no Núcleo Santana do PETAR é o consórcio Parque Nascentes do PETAR (Kulturrisc e Ambiental Jr.). Pontos Positivos (Argumentos de que foi "BOM"). A privatização é prevista para durar 30 anos.
Melhoria na Infraestrutura e Segurança:
Antes: Estrutura precária, banheiros em mau estado, estacionamento desorganizado, falta de sinalização.
Depois: Investimento em banheiros novos, centro de visitantes reformado, estacionamento organizado, sistema de bilheteria moderno. Isso oferece mais conforto e segurança para o turista.
Profissionalização e Organização: A chegada da concessionária trouxe processos mais claros para a visitação, como a compra online de ingressos, o que ajuda a controlar o número de visitantes e evitar superlotação, prejudicial às cavernas.
Maior Divulgação e Aumento no Número de Visitantes: A empresa privada tem recursos e expertise para divulgar o PETAR em grandes canais, atraindo um público maior. Com mais turistas, o comércio local (restaurantes, pousadas) pode ser beneficiado.
Segurança Jurídica para os Guias: Foi criado um cadastro oficial e um processo de credenciamento para os guias, o que teoricamente garante que apenas profissionais qualificados e regulares possam trabalhar no parque.Pontos negativos e preocupações (Argumentos de que foi "RUIM" ou Problemático):
Aumento dos custos para o visitante (e repasse aos Guias): O valor do ingresso subiu significativamente. Além disso, a concessionária cobra tarifas adicionais, como a taxa de estacionamento. Para o guia, isso significa um custo operacional maior, que precisa ser repassado ao preço final do passeio para o turista, podendo tornar a atividade menos competitiva.
Centralização dos Lucros e "Elitização": A maior crítica é que o dinheiro do ingresso, que antes ficava em parte com a associação de monitores e ajudava a financiar a própria gestão do parque, agora vai majoritariamente para a concessionária. Há um temor de que o PETAR se torne um produto turístico "elitizado", distanciando-se do turismo de base comunitária.
Perda de Autonomia e Conflitos com Guias Locais:
Os guias, muitos deles moradores da região com décadas de experiência, sentem que perderam voz ativa na gestão da visitação. Eles alegam que a concessionária impõe regras sem um diálogo suficiente e que o processo de credenciamento foi excludente para alguns guias mais antigos. Houve protestos e conflitos no início da concessão.
Descaso com a Realidade Local: Críticas apontam que a empresa, vinda de fora, não compreende totalmente a dinâmica social e cultural da região, tomando decisões que desconsideram o conhecimento tradicional dos moradores. Conclusão: Foi bom ou ruim?
A resposta não é simples. Depende muito do ponto de vista: Para o turista: Em geral, a experiência melhorou devido à infraestrutura, organização e segurança. Para os moradores que têm pousadas, restaurantes ou comércio: Pode ser positivo se o aumento no fluxo de turistas se converter em mais clientes para seus estabelecimentos. Para os guias de turismo (monitores ambientais): É a classe mais impactada e a visão é mista e crítica. Por um lado, há mais organização e potencial de clientes. Por outro, há um sentimento de perda de autonomia, aumento de custos e receio de que o modelo priorize o lucro da empresa em detrimento da valorização do profissional local.
Em resumo: A concessão trouxe benefícios tangíveis em termos de infraestrutura e organização, mas às custas de um aumento significativo de custos e de um profundo conflito socioambiental com a comunidade de guias locais, que se sentem marginalizados no processo. O sucesso a longo prazo deste modelo dependerá da capacidade da concessionária, do Estado e da comunidade local em encontrarem um equilíbrio que valorize tanto a conservação e a experiência do turista, quanto o conhecimento e o sustento das pessoas que são a alma do PETAR em São Paulo. O PETAR possui quatro “Núcleos” em suas entradas para auxiliar na visitação turística no Vale do Ribeira.
Núcleo Caboclos: No caminho de Guapiara e Apiaí temos o parque Intervales e o Núcleo Caboclos que não faz parte da privatização é espetacular, foi o primeiro núcleo de visitação a ser criado e está localizado na parte alta do PETAR SP, divisa entre Apiaí e Iporanga. Porém, é o que possui menor infra-estrutura, mas sendo o único que há um espaço para montagem de barracas, dois banheiros e dois chuveiros. Não há pousadas, bares nem energia elétrica, portanto não há banho quente. Para entrar no núcleo é cobrado uma taxa onde estão algumas das cavernas mais lindas do PETAR, como a Caverna Temimina, a Caverna Desmoronada e a Pescaria. No caminho para Iporanga temos a Cachoeira Arapongas que é auto guiada, mas é importante o acompanhamento de guia especializado, passando pelo mirante com vista até a Serra do Mar, chegamos no Bairro da Serra, principal ponto de partida para todos núcleos. O Núcleo Casa de Pedra dá acesso, através de uma bela trilha, para uma das cavernas com um dos maiores pórticos de entrada do mundo, são 215 metros de altura, a Casa de Pedra. Porém a caverna encontra-se fechada para visitação por conta do Plano de Manejo Espeleológico do PETAR, podendo apenas visitar o pórtico de entrada. O núcleo possui portaria, mas não é cobrado ingressos. Núcleo Ouro Grosso: O Núcleo Ouro Grosso está situado no bairro da Serra (Vale do Betari), conta com um centro de Educação Ambiental para o desenvolvimento de atividades junto à comunidade local e à rede escolar, além do atendimento aos grupos que executam trabalhos de interpretação ambiental, possuindo um pequeno museu com utensílios tradicionais da região. Nesse núcleo situa-se a caverna Ouro Grosso, uma das mais difíceis do parque a ser concluída, devido a sua formação. Também faz parte desse núcleo a Caverna do Alambari de Baixo, a qual você passa por uma trilha dentro do rio na Caverna. Núcleo Santana: O Núcleo Santana é o principal ponto de visitação do PETAR. Localiza-se no Vale do Rio Betari, uma das paisagens mais notáveis da região. Oferece diferentes roteiros de visitação tais como a caverna de Santana, a trilha do Betari (Caverna Água Suja, Caverna do Cafezal e cachoeiras das Andorinhas e do Beija-flor entre outras, trilha do Morro-Preto, cachoeira e Caverna do Couto. Suas trilhas são de fácil acesso e está localizado ao lado do Bairro da Serra. Em Iporanga e Apiaí, encontram-se a maioria das pousadas e hotéis. As áreas de camping são diversas, também muito utilizadas pelos turistas, estudantes e escolas em atividades de educação ambiental e estudo da Mata Atlântica. As estradas ainda continuam precárias, alguns lugares sem energia e sinal de celular, falta muito para ter mais segurança nas trilhas, aos monitores e preservação ao meio ambiente. E você morador, guia ou empreendedor gostaríamos de saber sua opinião. jornaldoribeira@gmail.com
terça-feira, 23 de setembro de 2025
Conecta 41
#ciencia #humano #natureza #tecnologia #vetores #vacinahpv
Futuros cientistas desbravam o mundo dos insetos vetores, e campanha para vacina HPV.
Curso Internacional de Determinantes Ecológicos da Dinâmica das Doenças Transmitidas por Vetores (Detvetores). Aconteceu entre 1º e 7 de setembro, ele e mais 18 futuros cientistas escolheram o Curso Internacional de Determinantes Ecológicos da Dinâmica das Doenças Transmitidas por Vetores para aprofundar seus conhecimentos no tema. Realizada no Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (Ceads) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em Ilha Grande, no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, a atividade contou com aulas teóricas e práticas sobre diferentes insetos e doenças de transmissão vetorial, abrangendo aspectos biológicos, ecológicos, sociais e ambientais. Organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), em parceria com o Laboratório de Entomologia Médica da Universidade da Flórida (Florida Medical Entomology Laboratory/FMEL), o curso proporcionou a mestrandos e doutorandos de diversas partes do país contato com professores de renomadas instituições nacionais e estrangeiras, contribuindo para a internacionalização e a colaboração entre os participantes. “Meu país é endêmico para malária e é muito carente de profissionais especializados no assunto. Nunca tinha tido contato com atividades de campo e com insetos vetores. Gostei muito de ter ido a campo, ter tido contato com a natureza e ter aprendido a capturar insetos. Cada momento do curso me deixou ainda mais curioso para adentrar nesse universo. Meu foco é tentar, de alguma forma, mudar um pouco a realidade do local onde nasci. Tenho certeza de que o Detvetores será uma ponte para essa mudança”, frisou Enes, que veio para o Brasil cursar doutorado em Biotecnologia em Saúde na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Dos Estados Unidos e Espanha, estiveram presentes os docentes da Universidade da Flórida, da Universidade Complutense de Madri. Do Brasil participaram Nildimar Honorio, Fábio Burack e Bruno Carvalho (IOC/Fiocruz) Jefferson Fernandes (Núcleo Operacional Sentinela de Mosquitos Vetores, Nosmove / Fiocruz) Luciana Stanzani, Leandro Stanzani e Claudiney Biral (UFES) Helena Bergallo, Elizabete Lourenço e Euclides Neto (UERJ) Guilherme Sanches (Instituto Nacional da Mata Atlântica, INMA) Rafael Erbisti (Universidade Federal Fluminense, UFF) David Andrade (Universidade de São Paulo, USP); Renata Campos, Mariane Branco e Carlos Zanini (Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ) Agostinho Pereira (Universidade Federal de Sergipe, UFS). As oficinas práticas com técnicas de captura de insetos e os trabalhos de campo são o grande diferencial do Detvetores e tornam o curso único no cenário entomológico. “A ocorrência de doenças de transmissão vetorial, como dengue, zika, chikungunya, malária e oropouche, por exemplo, depende das relações ecológicas entre vetores, hospedeiros e patógenos. Nesse curso, temos a oportunidade de trocar conhecimentos para o enfrentamento dessas doenças. Também podemos conhecer métodos utilizados para coletar e estudar os artrópodes vetores. Compartilhamos, ainda, detalhes sobre aspectos da biologia, ecologia e distribuição desses vetores”, explicou a mentora e coordenadora-geral do Detvetores, Nildimar Honório, pesquisadora do Laboratório de Interações Vírus-Hospedeiros do IOC e coordenadora do Nosmove / Fiocruz. ⚠️ Alerta: Campanha da vacina HPV . A vacina contra o HPV protege contra vários tipos do vírus, incluindo os que causam verrugas genitais e câncer (colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e garganta). No Brasil, é distribuída gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com dose única. Além disso, a vacinação está disponível para outros grupos, como pessoas vivendo com HIV/AIDS, transplantados e pacientes oncológicos, na faixa etária de 9 a 45 anos. Como funciona e para que serve: Prevenção de Câncer, a vacina protege contra os subtipos do HPV que estão associados ao desenvolvimento de diversos cânceres, como o de colo do útero, pênis, anal e vulvar. Prevenção de Verrugas Genitais: A vacina também previne as verrugas genitais causadas por outros tipos do HPV, como os tipos 6 e 11. Quem pode se vacinar: Público-Alvo (SUS): Meninas e meninos de 9 a 14 anos. A vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo SUS. Esquema Vacinal: No Brasil, desde 2024, foi adotada a dose única para a faixa etária de 9 a 14 anos, simplificando o acesso à imunização. É importante consultar os postos de saúde para verificar o calendário e iniciar ou completar o esquema vacinal. Fonte @fiocruz @gov.br
sexta-feira, 19 de setembro de 2025
Conecta 40
#ecologia #inverno #brumação #torpor #hibernação #butantan
Com a chegada do frio, é comum algumas espécies de répteis e mamíferos ficarem mais lentas e sonolentas, muitas vezes chegando a dormir por meses a fio, sem acordar pra nada! Essas estratégias de sobrevivência ao inverno se dividem em três tipos, de acordo com a “profundidade” do sono, Hibernação, Brumação e Torpor. “O objetivo desses mecanismos é fazer com que os animais economizem energia para enfrentar o frio e a falta de alimento durante os meses de baixas temperaturas”, explica a bióloga do Laboratório de Ecologia e Evolução (LEEv) do Butantan, Myriam Elizabeth Velloso Calleffo. Se você também faz parte do time que sofre para sair da cama nas manhãs frias, apelando para o clássico “só mais cinco minutinhos” enquanto se esconde nas profundezas das cobertas, vale a pena conhecer e, por que não invejar as sonecas mais comuns do reino animal durante o inverno, entenda por que alguns bichos adotam o “modo soneca” durante o inverno. Estratégias são utilizadas por espécies do reino animal para economizar energia e garantir a sobrevivência durante o período de baixas temperaturas, quando há pouca disponibilidade de alimentos. Com a chegada do frio, é comum algumas espécies de répteis e mamíferos ficarem mais lentas e sonolentas, muitas vezes chegando a dormir por meses a fio, sem nem mesmo acordar para fazer xixi ou cocô. Confira: Hibernação: o sono profundo dos mamíferos. Até pouco tempo, o termo “hibernação” era usado para todos os animais que ficam mais “preguiçosos” durante os meses de frio, sem diferenciar aqueles que caem em sono profundo dos que fazem um cochilo mais leve. A preparação para a hibernação começa meses antes, ainda no calor, quando a oferta de alimentos é alta e os animais enchem a pança para fazer uma “reserva de energia”. Brumação: o cochilo leve dos répteis, serpentes, lagartos, tartarugas, cágados, jabutis, crocodilos e jacarés são animais ectotérmicos. Isso significa que eles não regulam a temperatura automaticamente, e dependem do calor do lugar onde vivem para ficarem quentes ou se refrescar, diferente dos mamíferos e das aves, que são endotérmicos e conseguem manter o calor do corpo. Essa particularidade na regulação da temperatura influencia a distribuição e o comportamento das espécies, sendo que algumas delas apresentam “truques” para aumentar ou diminuir a temperatura do organismo. Os répteis, por exemplo, costumam ficar confortáveis quando o ambiente está entre 23 e 26 graus. Por isso, na natureza, é comum encontrá-los “lagarteando, jiboiando ou jacarezando ao sol”, conhecia essas expressões? Eles buscam um lugar ao sol para regular a temperatura do corpo nas praias, rios e, principalmente, sobre troncos, pedras ou rochas, que costumam esquentar rapidamente com os raios solares. Nos dias frios, quando esses bichos não conseguem se aquecer, eles procuram um abrigo. Lá, eles mantêm a temperatura baixa para economizar energia e diminuem o ritmo respiratório e cardíaco, adotando uma estratégia de sobrevivência conhecida como brumação. “Trata-se de um estado de dormência, menos profundo que a hibernação. Nele, os répteis são capazes de despertar, chegando a sair da toca para tomar sol, beber água e, em alguns casos, se alimentam quando estão ativos, uma vez que não possuem grande estoque energético”. A estratégia pode ser observada entre teiús, jabutis, iguanas e tartarugas, que “cochilam” por vários dias ou semanas nas épocas mais frias do ano. No Brasil, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde o inverno tem dias de temperatura amena pela manhã e momentos mais quentes à tarde, a prática é comum. Torpor: a soneca estratégica. Quando o mar não está para peixe, ou melhor, quando o inverno está rigoroso e os animais passam longos períodos sem comer, algumas espécies acabam entrando em torpor: um estado de baixa atividade e diminuição da temperatura corporal que acontece com ursos, gambás, guaxinins e beija-flores. Assim como na hibernação, os bichos em torpor respiram lentamente e têm batimento cardíaco baixo. Eles entram nesse “modo” quase que sem perceber, devido às condições do ambiente onde vivem, a fim de economizar energia por causa do frio e da falta de alimento. Em outras situações, o estado dura apenas algumas horas. O beija-flor, por exemplo, pode entrar em torpor todas as noites, apesar de ser muito ativo durante o dia. No modo “reserva”, a ave consegue “resfriar” o corpo e quando precisa ficar quentinha novamente, bate as asas inúmeras vezes, aumentando seu fluxo sanguíneo.
Confira reportagem na íntegra: Natasha Pinelli - @InstitutoButantan
quarta-feira, 10 de setembro de 2025
Conecta 39
#ecologia #humano #natureza #tecnologia #apiai #fitorremediação
A fitorremediação é uma tecnologia verde e de baixo custo que aproveita a capacidade natural de algumas plantas (chamadas de hiperacumuladoras) de absorver, tolerar, translocar e estabilizar ou degradar contaminantes do meio ambiente.
Exemplos de fitorremediação incluem a utilização de girassóis para remover metais pesados (como chumbo e cádmio) de solos e águas, plantas aquáticas como o aguapé para filtrar a água, e espécies forrageiras como a braquiária para extrair metais como mercúrio e arsénio do solo. Outras aplicações são o cultivo de plantas de cobertura em áreas com excesso de cobre, a utilização de espécies como o junco para purificar corpos d'água, e o desenvolvimento de jardins filtrantes com plantas para remover coliformes fecais.
Exemplos por tipo de contaminante: Metais Pesados (chumbo, zinco, cobre, cádmio, arsênio, mercúrio), Girassol: Excelente para a absorção de chumbo e cádmio, pode ser usado em solos e águas contaminadas, como visto na recuperação de áreas próximas à usina nuclear de Chernobyl. Plantas forrageiras (Brachiaria, Panic): Usadas para extrair metais como mercúrio, cádmio, arsênio e zinco do solo, sendo posteriormente incineradas ou enviadas para outros destinos. Vetiver: Mostrou grande eficiência e tolerância na absorção e translocação de chumbo para a parte aérea, sendo útil em programas de remediação de áreas contaminadas com chumbo. Outras espécies: O estudo com videiras em solos contaminados por fungicidas cúpricos demonstra a importância de plantas de cobertura com alta capacidade de acúmulo de cobre.
Matéria Orgânica e Nutrientes em Excesso: Juncos e Aguapés: São usados em corpos d'água para purificar a água, retirar o excesso de nutrientes, e quebrar e absorver moléculas tóxicas. Compostos Orgânicos (hidrocarbonetos de petróleo): O uso de espécies de plantas forrageiras, assim como gramíneas bioenergéticas, permite a extração desses compostos do solo através da fitoextração. Contaminantes Biológicos (Coliformes Fecais): Jardins Filtrantes: O uso de plantas aquáticas como o aguapé, junco e outras espécies em jardins filtrantes é uma técnica usada para remover bactérias coliformes de águas contaminadas. Exemplos de Plantas Usadas: Girassol (Helianthus annuus): Absorção de metais pesados como chumbo e cádmio. Aguapé (Eichhornia crassipes): Absorção de nutrientes, metais pesados e quebra de moléculas tóxicas em águas.
Junco (Typha spp.): Purifica águas, com raízes profundas que ajudam na despoluição.
Vetiver (Chrysopogon zizanioides): Eficiente na absorção e translocação de chumbo. Plantas Bioenergéticas (Braquiária, Pânico): Extraem metais do solo.
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8912475/
O cânhamo é uma planta de grande relevância científica e ambiental. Vamos explorar em detalhe o potencial do cânhamo industrial para a fitorremediação de metais pesados.
O cânhamo industrial (*Cannabis sativa*) apresenta um potencial excepcional para a fitorremediação, um processo que utiliza plantas para descontaminar solos, sedimentos e águas. Sua rápida taxa de crescimento, alta biomassa, sistema radicular profundo e resistência natural a stressores abióticos (incluindo a presença de certos metais) tornam-no um "hiperacumulador" promissor para a limpeza de solos contaminados com metais pesados como cádmio, chumbo, níquel e zinco, Fitorremediação: o uso de plantas para descontaminação ambiental. @embrapa
sexta-feira, 5 de setembro de 2025
Conecta 38
#turismo #humano #natureza #historia #apiai #peabiru
A Trilha que Tecia um Continente. A rota ancestral do Peabiru foi um trecho importante que passava pelo Vale do Ribeira, incluindo a região de Apiaí, sendo fundamental para a circulação dos povos originários, produtos e cultura antes da chegada dos europeus. A estrada ancestral que ligava o Peru ao litoral brasileiro. Muito antes da chegada dos colonizadores europeus, povos indígenas já haviam traçado um percurso monumental que cortava a América do Sul. Conhecido como Caminho de Peabiru, essa rede de trilhas interligava o litoral do Paraná à Cordilheira dos Andes, passando por territórios que hoje correspondem ao Brasil, Paraguai, Bolívia e Peru. Com cerca de 3 mil quilômetros de extensão, o caminho era usado para comércio, intercâmbio cultural, rituais espirituais e deslocamento estratégico. Relatos de cronistas do século XVI descrevem a trilha como larga, bem demarcada e, em trechos mais íngremes, até mesmo com degraus, indício do cuidado e da engenharia indígena na manutenção da via. A palavra “Peabiru” vem do Tupi e significa “caminho gramado” ou “trilha batida pelo povo”. Para pesquisadores, a rota pode ter funcionado como uma extensão do Qhapaq Ñan, a rede de estradas do Império Inca, o que reforça a importância do trajeto como eixo de conexão continental. Apesar de sua relevância histórica, o Caminho de Peabiru segue pouco reconhecido no Brasil. Especialistas defendem que a preservação e a divulgação de sua história são essenciais para valorizar a contribuição dos povos originários e compreender como suas rotas moldaram a integração cultural da América do Sul. Em meio ao burburinho das nossas cidades modernas e ao asfalto que conecta nosso presente, é fácil esquecer que o solo sob nossos pés guarda histórias milenares. Antes das rodovias e dos mapas de GPS, uma complexa rede de trilhas, conhecida como Caminho do Peabiru, era a espinha dorsal, a internet de fibra ótica do mundo pré-colonial sul-americano. A palavra Peabiru, de origem tupi-guarani, é comumente traduzida como “caminho pisado” ou “caminho de ida e volta”. E isso era exatamente uma obra de engenharia impressionante, com cerca de 1,5 metro de largura, calçada com pedras em trechos pantanosos e marcada por uma espécie de grama muito resistente, que criava uma faixa clara e contínua visível a longa distância, cortando florestas, serras e rios. Seu traçado principal ligava o Oceano Atlântico, no litoral de São Paulo, e Paraná, ao Oceano Pacífico, no Peru. Imagine a audácia: uma trilha que partia da atual Cananéia ou São Vicente, subia a Serra do Mar, cruzava os planaltos paranaense e paulista, adentrava o Mato Grosso do Sul, seguia pelo Paraguai, pela Bolívia e, finalmente, escalava a Cordilheira dos Andes até chegar a Cusco, o umbigo do mundo Inca. Era o elo vital entre o Império Inca e as terras baixas do leste. O Peabiru não era uma rodovia para carruagens, mas uma via para os pés. Por ele não circulavam mercadorias em carroças, mas sim ideias. Era o caminho dos mensageiros incas (os *chasquis*), dos guerreiros guaranis, dos pajés e dos comerciantes. Por essa artéria fluíam conchas spondylus (moeda de grande valor para os incas), penas de aves raras, ervas medicinais, cerâmicas, conhecimento astronômico e mitologias. Era uma via de mão dupla para a cultura. A história nos conta que este mesmo caminho, que por séculos foi sinônimo de troca e conexão, tornou-se, com a chegada dos europeus, uma rota de ambição e tragédia. Foi buscando o lendário “El Dorado” que o aventureiro espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca se tornou um dos primeiros europeus a percorrer partes do Peabiru, saindo de Santa Catarina e seguindo suas trilhas até o Paraguai, em uma expedição épica e árdua. Mais tarde, o caminho facilitou o acesso de bandeirantes paulistas ao interior, acelerando a colonização e, infelizmente, a caça aos indígenas para escravização. Hoje, o Caminho do Peabiru não desapareceu totalmente. Ele sobrevive fragmentado em estradas de terra, trilhas de sertão, no leito de algumas rodovias modernas e, sobretudo, na memória dos povos originários. Arqueólogos, historiadores e entusiastas se dedicam a remontar seu traçado original, buscando seus vestígios como quem decifra um código ancestral. O Peabiru nos convida a refletir. Ele é um lembrete de que a América do Sul já estava profundamente conectada muito antes de Colombo. É um patrimônio intangível que fala de nossa capacidade de vencer distâncias imensas, não com máquinas, mas com engenho e perseverança. Caminhar sobre seus últimos trechos é, portanto, muito mais do que fazer uma trilha. É pisar na mesma estrada que uniu nações, carregou sonhos e, acima de tudo, teceu a história esquecida de um continente.
Conecta 37
#turismo #humano #natureza #tecnologia #apiai #forum
Um encontro nacional que conecta diversidade, responsabilidade e transformação no fazer turístico.O 1º Fórum Brasileiro de Turismo Responsável nasceu para ser exatamente isso: um ponto de virada. Um espaço de reconexão com a terra, a cultura, o outro e consigo mesmo. O Fórum Brasileiro de Turismo Responsável 2025 que acontece em Brasília DF, como forma de impulsionar práticas comprometidas com o bem viver e a justiça socioambiental. Uma oportunidade única de vivenciar, na prática, os caminhos do turismo responsável. Quem pode participar? Pessoas físicas, Associações, cooperativas ou empresas com CNPJ ativo, mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+ e outros grupos historicamente minorizados, bem como incentivadores que contemplem diversidade regional e territorial.
Oficinas: Planejando Passeios seguros (2h). Seguindo as diretrizes da ABNT NBR ISO 21101, vamos aprender a elaborar atividades na Natureza pensando em critérios de segurança para todas as pessoas envolvidas. Uma oficina dedicada à identificação dos riscos, controles operacionais e planos de atendimento à emergência nas atividades de Ecoturismo e turismo de aventura, com base na ISO 21101.
Facilitadora: Vanessa Almeida (Nas Alturas)
Workshop Afroturismo Embratur/Banco CAF (3h)
Fruto de parceria entre a Embratur e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. O objetivo da ação é discutir boas práticas e caminhos para a expansão do Afroturismo, com foco na consolidação e divulgação da oferta turística do Brasil no exterior. Afroturismo é um segmento turístico que abrange experiências que celebram a cultura, a história e as vivências da população preta e prioriza o empreendedorismo afro.
Facilitadora: Tânia Neres e convidados
Acesso a Mercados – Internacional (Embratur/Feel Brasil) (2h)
Oficina Etnoturismo Indígena (a confirmar/aguardando FUNAI)
Seguindo as diretrizes da ABNT NBR ISO 21101, vamos aprender a elaborar atividades na Natureza pensando em critérios de segurança para todas as pessoas envolvidas. Uma oficina dedicada à identificação dos riscos, controles operacionais e planos de atendimento à emergência nas atividades de Ecoturismo e turismo de aventura, com base na ISO 21101.
Facilitadora: Vanessa Almeida (Nas Alturas)
Oficina - Cocriando os próximos passos do turismo responsável
A partir das discussões do Fórum:
Quais os gargalos/problemas centrais para o desenvolvimento de um turismo responsável no Brasil?
Aponte soluções para estes problemas (mais importantes?)
Para um horizonte de curto prazo (1, 2 anos), quais seriam ações concretas para operacionalizar essas soluções? Facilitador: Prof. David Bouça
De 11 a 14 de setembro de 2025, em Brasília, vamos reunir vozes potentes de todo o Brasil: comunidades tradicionais, empreendedores periféricos, comunicadores e especialistas, em uma celebração viva da diversidade e da responsabilidade no turismo.
Realização: Grupo Vivejar, com apoio de parceiros. A equipe é liderada por mulheres e formada por profissionais com trajetórias reconhecidas em turismo de base comunitária, gestão de projetos e consultoria técnica.
Para mais informações entre em contato com o e-mail: eventos@grupovivejar.com.br
Acompanhe também pelas redes sociais: Instagram: @forumturismoresponsavel
Site oficial: https://forumturismoresponsavel.com.br
Conecta 36
#historia #humano #natureza #tecnologia #petar #literatura
Literatura sobre Apiaí destaca a publicação "Um rio de histórias” reúne as lembranças contadas por 27 moradores da cidade aos alunos das escolas ALA, Honorina Albuquerque, Elisa dos Santos e Cemae, durante os anos 2010 e 2011. As histórias dos moradores foram ouvidas por meio de entrevistas de histórias de vida realizadas pelos alunos. O Projeto Memória Local na Escola tem como objetivo valorizar as histórias de vida das pessoas da comunidade. Ao longo do ano de 2010, foram realizados encontros mensais com os alunos e professores das escolas municipais de Apiaí. Durante o primeiro ano do projeto, os alunos entrevistaram 16 moradores e registraram as suas histórias de vida por meio de desenhos, textos coletivos e legendas. Em 2011, a continuidade do Projeto Memória Local na escola contou com a constituição de um grupo de formadores locais, que, por sua vez, acompanhou novos professores e alunos participantes do projeto. No segundo ano, foram 11 moradores entrevistados. A cada relato são reveladas diferentes relações com a cidade, oferecendo ao leitor uma visão multifacetada do local, comprometida tanto com as percepções pessoais, como com a memória coletiva de Apiaí, compondo cenários de diversas épocas e lugares da cidade e suas proximidades. Conversando com esses relatos, organizamos alguns boxes informativos e/ou históricos sobre os temas envolvidos nas histórias de vida. A expressão “mar de histórias”, tão notória entre contadores e escritores, era usada em sânscrito para referir-se ao universo das narrativas, que sempre desvelam ao leitor ou ouvinte novos territórios, que os envolvem em aventuras, paixões e descobertas. Emprestamos essa conhecida expressão, trocando o mar pelo rio. Aqui temos nosso rio de histórias. Uma referência aos rios que banham a região do Vale do Ribeira. E a uma das versões sobre o nome de Apiaí, que em tupi-guarani significa “Rio Menino”. Convidamos a todos para um mergulho nas histórias de meninos e meninas, hoje homens e mulheres de Apiaí. Mas, antes, não podemos deixar de agradecer aos moradores da cidade que compartilharam as suas histórias de vida com as crianças, aos educadores envolvidos nessa trajetória, a todos os alunos que registraram e ilustraram com seus lindos desenhos a história de Apiaí e ao João Cristino dos Santos, “Seu Janguito”, que nos ofereceu um rico depoimento sobre a memória dessa cidade. O Projeto Editorial é fantástico, foi idealizado por Ana Carolina Carvalho e Danilo Eiji Lopes, e contou com apoio de vários professores e coordenadores, com uma arte linda e bem elaborada, o Projeto Gráfico foi criado por Fernanda Mascarenhas e Renato Theobaldo. Uma leitura importante para todas as idades.
Apiaí comemora 254 anos de história, em seu aniversário os eventos começaram dia 13 de agosto com várias atrações artísticas e culturais e foi até o dia 17, os eventos aconteceram na Praça Alberto Dias Baptista. A cidade foi fundada em 1771, é conhecida por sua rica história, cultura e natureza exuberante. Parabéns Apiai pelo seu aniversário, e para todos moradores, uma das maiores cidades do Alto Ribeira que tem uma zona rural atuante na agricultura , agropecuária e turismo, por fazer parte do PETAR (Parque Estadual Turístico do alto Ribeira), com cachoeiras, rios, cavernas, trilhas tornam ainda mais especial conhecer toda essa história. Contamos com grande acervo literário sobre nossa região, aos interessados por esse livro entre outros, entre em contato. trueschoolbrasil@gmail.com
Pesquisa e redação DJ Produtor Musical e Cultural Sylvio Muller
Conecta 35
#caverna #humano #natureza #tecnologia #fosseis #petar
Formações Rochosas do Vale do Ribeira e Caverna Temimina
O Vale do Ribeira, localizado entre os estados de São Paulo e Paraná, é uma das regiões mais ricas em biodiversidade e geodiversidade do Brasil. A diversidade atual da Mata Atlântica é resultado de milhões de anos de isolamento, adaptação e evolução, o que explica a presença de muitas espécies endêmicas (que só existem aqui). Ela é considerada um dos biomas mais antigos e biodiversos do planeta. Além das suas florestas exuberantes e rios cristalinos, o vale guarda segredos antigos nas suas formações rochosas e fósseis, revelando capítulos impressionantes da história natural. O solo do Vale do Ribeira é composto por uma diversidade geológica que remonta a centenas de milhões de anos. As formações mais emblemáticas incluem: Rochas carbonáticas (calcários e dolomitos), predominam na região de PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira). Essas rochas, formadas em ambientes marinhos há mais de 300 milhões de anos, deram origem a um dos maiores complexos de cavernas da América Latina, com mais de 350 cavernas catalogadas. Formações cársticas: o calcário, ao longo dos milênios, foi esculpido pela água, formando grutas, estalactites, estalagmites, rios subterrâneos e dolinas. Rochas metamórficas e ígneas: também aparecem no entorno, evidenciando períodos de grande atividade geológica. Fósseis de Animais Gigantes: Durante o Período Quaternário (nos últimos 2,5 milhões de anos), o Vale do Ribeira foi habitat de uma megafauna impressionante. Diversos fósseis encontrados na região revelam a presença de animais gigantes que habitaram o Brasil durante a última era do gelo: Megafauna do Vale, Preguiças-gigantes (Megatherium e Eremotherium): podiam chegar a 6 metros de altura em pé. Esses herbívoros eram parentes das preguiças atuais, mas com tamanho comparável ao de um elefante. Toxodontes: parecidos com grandes antas, com corpo robusto e dentes especializados. Glyptodontes: uma espécie de tatu gigante, com carapaça dura e cauda reforçada. Macrauquenídeos: mamíferos de pescoço longo e focinho semelhante ao de uma anta ou camelo. Tigres-dente-de-sabre e ursos de face curta: predadores que dominavam o topo da cadeia alimentar. Esses fósseis foram encontrados em áreas como: Iporanga e Apiaí (SP), onde escavações revelaram ossadas em cavernas e em camadas sedimentares próximas a rios. Alguns pesquisadores acreditam que partes da região do Vale do Ribeira serviram como refúgios ecológicos durante as eras glaciais, o que explicaria sua biodiversidade e a presença de fósseis tão diversos. O foco principal da região além das encantadoras cachoeiras, rios, trilhas e mirantes é espeleológico, valorizando cavernas, formações rochosas e geoturismo. A riqueza das formações espeleológicas e geológicas do Núcleo Caboclos como as cavernas Temimina, Chapéu Mirim I e II, Aranhas, Pedra do Chapéu, cachoeiras e trilhas. Além disso, é um patrimônio geológico e paleontológico no Vale do Ribeira, é valioso para o turismo científico, educação ambiental e para reforçar a necessidade de preservar essas áreas naturais únicas, como o “chuveiro” natural é um fenômeno extremamente raro em cavernas brasileiras, gerando reflexões sobre a dinâmica hídrica subterrânea e as fraturas do calcário no tempo, é considerada uma das mais extraordinárias e deslumbrantes cavernas abertas à visitação, muitas vezes apontada como uma das mais belas do mundo. Para reservar um passeio consulte ingressosparquespaulistas.com.br e tenha acesso aos parques com mais segurança e conforto. Sempre acompanhado de um guia credenciado, e bom passeio!!!
Conecta 34
#biofabrica #humano #natureza #tecnologia #mosquitos #dengue
O Brasil inaugurou a maior biofábrica do mundo de mosquitos Wolbitos para o combate à dengue e outras arboviroses (são doenças causadas por vírus transmitidos por mosquitos). A biofábrica terá capacidade para produzir 100 milhões de ovos de mosquitos por semana. O combate à dengue e a outras arboviroses ganha um novo marco com a inauguração da maior biofábrica do mundo especializada na criação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, a Wolbito do Brasil. A unidade, localizada na Cidade Industrial de Curitiba, foi inaugurada oficialmente no sábado (19/7), às 10h, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A biofábrica é resultado de uma joint venture entre o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP), uma organização mundial sem fins lucrativos. A implantação do Método Wolbachia resulta do esforço do Ministério da Saúde (MS), em parceria com a Fiocruz e o WMP, e beneficiou até o momento cerca de 5 milhões de brasileiros. A previsão é que este número chegue a 70 milhões nos próximos anos, já que o MS incorporou o Método Wolbachia como uma das estratégias nacionais de combate às arboviroses. O IBMP é uma parceria da Fiocruz com o Governo do Paraná. Com mais de 3,5 mil m² de área construída, equipamentos de ponta para automação e criação dos mosquitos com Wolbachia, além de uma equipe formada por cerca de 70 funcionários, a Wolbito do Brasil supre a crescente demanda nacional pelo Método Wolbachia, que se tornou uma política de saúde pública do Ministério da Saúde. Inicialmente, a unidade atenderá exclusivamente ao MS, garantindo a distribuição dos mosquitos Wolbitos para diversas regiões do Brasil com altos índices de dengue. “Ciente do impacto das arboviroses para o país, a Fiocruz continua a cumprir seu papel de instituição de ciência e tecnologia na promoção da saúde pública no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). A inauguração da fábrica em Curitiba é mais uma ação inovadora da Fundação que faz parte das estratégias nacionais para o controle do Aedes aegypti e de combate a arboviroses como dengue, zika e chikungunya”, afirma o presidente da Fiocruz, Mário Moreira. A Wolbito do Brasil nasceu para consolidar e expandir a implementação do Método Wolbachia – presente em 14 países – no Brasil, sob a coordenação do World Mosquito Program (WMP). “A biofábrica de Wolbitos terá capacidade para produzir 100 milhões de ovos de mosquitos por semana. Nosso objetivo é reduzir significativamente os números de casos de arboviroses no país. Em dez anos teremos beneficiado mais da metade da população brasileira”, destaca o diretor presidente da Wolbito do Brasil, Luciano Moreira, responsável por trazer o método para o Brasil. No país, o Método Wolbachia está há pouco mais de dez anos, e com resultados positivos. Vale ressaltar que o Método Wolbachia não utiliza mosquitos transgênicos, é complementar a outros métodos e inclusive aos cuidados básicos que a população deve manter para eliminar os criadouros de mosquitos. “Nosso método é seguro, natural e autossustentável. Nosso grande diferencial é a etapa de comunicação e engajamento, pois com a população bem-informada e engajada os resultados são melhores. A união de forças produz um efeito mais significativo”, complementa Moreira. Os três municípios de Santa Catarina, os dois de Goiás e Brasília estão, neste momento, na fase de comunicação e engajamento. A liberação dos Wolbitos nestas regiões ocorrerá ainda no segundo semestre.
O que é a Wolbachia e como funciona o método?
O Método utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a Wolbachia, uma bactéria naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza e que impede o desenvolvimento dos vírus das arboviroses no organismo dos insetos.
Acesse o site da Fiocruz para mais informações. https://fiocruz.br
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