quarta-feira, 1 de julho de 2026
Conecta 78
#ciencia #zoologia #mataatlantica #soroantiofidico #cobras #serpentes
A produção de soros antiofídicos é um trabalho multidisciplinar que envolve profissionais de diversas áreas da ciência, saúde e produção biotecnológica. O desenvolvimento de um único lote de soro antiofídico pode envolver dezenas de profissionais diferentes, desde pesquisadores que estudam as cobras na Mata Atlântica até médicos que aplicam o tratamento nos hospitais. É um excelente exemplo de como a zoologia, a medicina, a veterinária e a biotecnologia trabalham juntas para salvar vidas, vamos conhecer e exaltar a dedicação desses profissionais. Herpetólogo: Estuda as serpentes, identifica espécies peçonhentas, auxilia na coleta de venenos, pesquisa a distribuição das cobras na natureza. Biólogo: Estuda a composição dos venenos, analisa toxinas e seus efeitos, desenvolve pesquisas sobre novos antivenenos. Biotecnologista: Desenvolve novas tecnologias para produção de soros, trabalha com engenharia genética e anticorpos, pesquisa antivenenos de nova geração. Bioquímico: Analisa proteínas e enzimas presentes nos venenos, avalia a eficácia dos soros produzidos. Farmacêutico: Participa da produção industrial dos soros, realiza controle de qualidade, garante a segurança do produto final. Médico Toxicologista: Trata pacientes vítimas de acidentes ofídicos, avalia a eficácia dos soros, desenvolve protocolos clínicos. Médico Veterinário: Cuida dos cavalos utilizados na produção do soro, monitora a saúde dos animais doadores de anticorpos e garante o bem-estar animal durante o processo. Biomédico: Atua em laboratórios de pesquisa e desenvolve testes imunológicos, auxilia na validação dos soros. Epidemiologista: Analisa dados de acidentes com serpentes, ajuda a planejar a distribuição dos soros no país. Engenheiro de Bioprocessos: Coordena equipamentos industriais, desenvolve métodos de purificação dos soros, otimiza a produção em larga escala. Existem diversos tipos de soros utilizados na medicina para neutralizar venenos, toxinas e agentes infecciosos. Soros para serpentes: Soro Antibotrópico (SAB) utilizado para acidentes causados por Jararaca (Bothrops jararaca), Urutu (Bothrops alternatus), Jararacuçu (Bothrops jararacussu). Soro Anticrotálico (SAC) para acidentes com cascavel. Soro Antielapídico (SAE) para acidentes com coral-verdadeira. Soro Antilaquético (SAL) para acidentes com surucucu-pico-de-jaca. Soro Antibotrópico-Laquético (SABL) utilizado quando há suspeita entre jararacas e surucucus. Soros para aranhas - Soro Antiaracnídico (SAAR) indicado para acidentes por armadeira,aranha-marrom. Soro Antiloxoscélico específico para Aranha-marrom. Soros para escorpiões: Soro Antiescorpiônico (SAEsc) utilizado para acidentes por escorpião-amarelo, outras espécies do gênero Tityus. Soros para insetos: Soro Antielapídico utilizado em casos graves de múltiplas ferroadas de abelha-africanizada é um dos soros mais recentes desenvolvidos no Brasil. Outros soros importantes: Soro Antirrábico utilizado após exposição ao vírus da raiva. Soro Antitetânico contra a toxina do tétano. Soro Antidiftérico contra a toxina da difteria. Soro Antibotulínico utilizado para tratar o botulismo. A palavra soro significa uma solução contendo anticorpos capazes de neutralizar toxinas ou microrganismos. Os soros antiofídicos salvam milhares de vidas todos os anos no Brasil e são considerados uma das maiores conquistas da medicina tropical. Durante muitos anos, os soros antiofídicos foram produzidos praticamente da mesma forma. Hoje, graças à genética, à biotecnologia e à inteligência artificial, estamos entrando em uma nova era da medicina. A tecnologia está transformando profundamente a fabricação dos Soros Antiofídicos, tornando-os mais seguros, eficientes e acessíveis. O conhecimento das serpentes e de seus venenos não apenas salva vidas após acidentes, mas também ajuda a desenvolver medicamentos que beneficiam milhões de pessoas em todo o mundo.
segunda-feira, 22 de junho de 2026
Conecta 77
#ciencia #zoologia #mataatlantica #soroantiofidico #cobras #serpentes
Com o aumento de casos de ataques das serpentes da Mata Atlântica, vamos trazer várias explicações. A Zoologia é o ramo da biologia que estuda os animais. A palavra vem do grego: “zoo” = animal, “logia” = estudo, ou seja, Zoologia significa “estudo dos animais”. "Serpentes da Mata Atlântica, conheça as principais cobras peçonhentas do bioma". Como devemos chamar cobra ou serpente? As duas formas estão corretas, mas dependem do contexto. “Serpente” é um termo científico e zoológico. Os biólogos, herpetólogos e materiais acadêmicos costumam usar "serpente" porque é o nome do grupo de animais da subordem Serpentes. Exemplo: A jararaca é uma serpente peçonhenta da Mata Atlântica. “Cobra”é o termo popular mais utilizado no Brasil. Na linguagem do dia a dia, praticamente todas as serpentes são chamadas de cobras. Exemplo: Encontramos uma cobra durante a trilha. Quando ouvimos a palavra “cobra”, muitas vezes sentimos medo. Isso acontece porque, ao longo da história, esses animais foram cercados de mitos, histórias e desinformação. Porém, hoje vamos descobrir que as serpentes são fundamentais para o equilíbrio da natureza e possuem um papel essencial na manutenção da vida nas florestas. A Mata Atlântica abriga uma enorme diversidade de serpentes, desde espécies pequenas e inofensivas até serpentes peçonhentas conhecidas, como a jararaca, a cascavel e a coral-verdadeira. Cada uma delas possui características únicas, hábitos diferentes e uma função ecológica muito importante. Vamos identificar algumas espécies, quais são peçonhentas e quais não oferecem perigo, como agir em caso de acidentes, a importância das serpentes para o controle de pragas e doenças, e por que preservar esses animais também significa preservar a nossa própria sobrevivência. As serpentes ajudam a controlar populações de ratos e outros animais, colaborando diretamente para o equilíbrio ambiental e até para a saúde pública. Além disso, os estudos científicos com venenos de serpentes já contribuíram para a criação de medicamentos importantes utilizados no mundo inteiro. Nosso objetivo hoje não é ensinar medo, mas sim conhecimento, respeito e conservação. Diferença entre veneno e peçonha? O veneno é produzido pelo organismo, mas o animal não possui um aparelho inoculador ativo. O envenenamento ocorre de forma passiva, geralmente quando a presa entra em contato com a pele do animal, o ingere ou sofre pressão em glândulas específicas (ex: sapos-cururus, baiacus e certas rãs). A peçonha é uma substância tóxica produzida por alguns animais para defesa ou caça. Animal peçonhento é o animal que injeta a toxina, como cobras, escorpiões, aranhas, arraias, eles possuem presas, ferrões, espinhos, ou agulhões. A peçonha normalmente contém proteínas, enzimas, toxinas neurotóxicas, hemotóxicas, ou citotóxicas. Embora os dois termos sejam tipos de substâncias tóxicas, a distinção principal está na forma como a toxina entra no organismo. Essas substâncias podem paralisar, causar dor, destruir tecidos, afetar o sangue, ou atacar o sistema nervoso. As peçonhas são muito estudadas pela medicina porque podem ajudar no desenvolvimento de remédios, anestésicos, medicamentos contra hipertensão, tratamentos neurológicos e pesquisas contra o câncer. A urutu é um exemplo das serpentes peçonhentas mais importantes e perigosas da Mata Atlântica e do Sul do Brasil. Seu nome tem origem na língua tupi e significa aproximadamente "cobra muito feroz" ou "cobra grande". Ela é facilmente reconhecida pelo desenho em forma de cruz na cabeça, motivo pelo qual também é chamada de urutu-cruzeiro. Quanto mais rápido o soro antiofídico for administrado, maiores são as chances de recuperação completa e menores os riscos de sequelas. No Alto Ribeira o Hospital de Apiai é o mais próximo para atendimentos urgentes, o tratamento é gratuito pelo SUS, e possuem soros distribuídos pelo Instituto Butantan e pela Fundação Oswaldo Cruz, ou Disque SAMU 192.
Quando a Mata Encolhe, a Vida Avança: O Desequilíbrio que Multiplica Serpentes.
Por mais distante que a vida urbana pareça estar do coração da Mata Atlântica, existe um fio invisível que conecta a saúde da floresta diretamente ao nosso quintal. Quando esse ecossistema é agredido, a resposta da natureza muitas vezes surge de forma silenciosa e rasteira. Um dos reflexos mais nítidos do desequilíbrio ambiental hoje é o aumento do avistamento e da população de serpentes em áreas de transição e centros urbanos.
Mas, ao contrário do que o senso comum dita, isso não é uma "invasão" dos animais. É uma fuga pela sobrevivência motivada por fatores gerados por nós.
A Dinâmica do Desequilíbrio: A multiplicação e o aparecimento frequente de espécies como a jararaca e a cascavel na Mata Atlântica acontecem devido a três fatores principais interligados. A Perda de Predadores Naturais: Com o desmatamento e a caça, animais que estão no topo da cadeia alimentar e controlam a população de cobras (como gaviões, corujas e quatis) perdem habitat ou desaparecem. Sem predadores, a taxa de sobrevivência das serpentes dispara. A Explosão de Roedores: Cidades e plantações próximas às florestas geram acúmulo de lixo orgânico. Isso atrai uma enorme quantidade de ratos. Como os roedores são a base da dieta de cobras peçonhentas, cria-se um banquete ideal para que elas se reproduzam mais. Efeito de Borda e Perda de Habitat: A fragmentação das matas destrói o interior úmido e preservado da floresta. Sem seu refúgio original, as serpentes se deslocam para as "bordas" da mata que coincidem justamente com estradas, sítios e bairros residenciais. O Ecossistema como Espelho: O aumento de serpentes não indica uma floresta "forte" ou cheia de vida, mas sim um ambiente fragmentado e sob estresse crônico. Nesta edição da Coluna Conecta, convidamos você a entender que preservar a biodiversidade vai muito além de proteger paisagens bonitas. Significa manter cada peça da engrenagem viva em seu devido lugar, garantindo a segurança de todas as espécies, inclusive a nossa.
terça-feira, 16 de junho de 2026
Conecta 76
#ciencia #humano #mudancasclimaticas #aquecimentoglobal #ElNiño
Junho, mês do Meio Ambiente, é um período de reflexão e compromisso com a preservação do planeta. No entanto, vamos passar por momentos delicados que podem alterar o modo de vida em diversos países com a vinda do El Niño, é o que dizem alguns especialistas. Cerca de 95% do desmatamento na Amazônia é ilegal, diz Paulo Artaxo, em entrevista ao Roda Viva, a devastação da floresta não é apenas um problema que causa o desiquilibrio ambiental, mas um motor que alimenta diretamente o crime organizado. Paulo Artaxo, diretor do Centro de Estudos da Amazônia Sustentável da USP e uma das maiores autoridades mundiais em clima. Laureado com o Planet Earth Award 2026 e autor-líder nos três últimos relatórios do IPCC, na ONU foi agraciado com o Nobel da Paz, Artaxo analisa o cenário de transição global rumo à sustentabilidade. Em debate, os impactos das mudanças climáticas, as vulnerabilidades e vantagens estratégicas do Brasil, o impacto do próximo El Niño, o ponto de não retorno da Amazônia e a resiliência das cidades. O especialista alerta que atividades ilícitas como a grilagem de terras públicas, a invasão de territórios indígenas e o garimpo ilegal estão dominando a região. Artaxo destacou que o lançamento maciço de mercúrio nos rios por conta da mineração ilegal vai deixar sequelas por centenas de anos nos ecossistemas. O momento atual é mais um ponto de transição da humanidade, assim como foram o fim do Feudalismo, a Revolução Industrial e as Grandes Guerras. Artaxo pontua que o atual sistema econômico é insustentável a curto prazo e que a transformação para uma sociedade sustentável é inevitável. No entanto, o alerta do cientista é para o custo social dessa mudança: as fortes tensões econômicas atuais e o fato de que bilhões de pessoas, especialmente em países vulneráveis como os do continente africano, não terão recursos para fazer essa transição a tempo. Artaxo defende que a melhora ambiental e social do país passa, obrigatoriamente, por uma renovação do Congresso Nacional, hoje dominado por setores como o agronegócio, mineração, bancada da bala e dos agrotóxicos e agora o perigo dos data centers, portanto não está na pauta a questão de converter os combustíveis fósseis em energias renováveis. O espaço que falta ser ocupado é o da "bancada do povo". O Sr. José Antonio Marengo Orsini passou em uma audiência pública no Senado Federal cercado por parlamentares preocupados com um assunto que explodiu nas manchetes internacionais nas últimas semanas: o risco de um possível “Super El Niño”. Senadores falam sobre a soja, enchentes, escolas fechadas, incêndios no Pantanal e risco de colapso hídrico. Parte da discussão vinha carregada por projeções climáticas extremas que circulam nas redes sociais e em vídeos de influenciadores. Horas depois, já fora da audiência, o climatologista resumiu à Forbes Agro o ponto central da discussão: o El Niño está praticamente confirmado. O tamanho do problema, ainda não, afirmou Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Para o Brasil, o El Niño tem impactos de seca no norte e no leste da Amazônia e no norte do Nordeste durante o ano. Se o El Niño persistir no segundo semestre de 2026, poderá ter impactos no ano que vem. Para o Sul do Brasil, o impacto é na primavera do hemisfério Sul [em setembro como aconteceu em anos anteriores]. Caso se configure El Niño em julho ou agosto, significa que a região Sudeste terá um inverno menos frio do que o normal e pode ser que tenha períodos com ondas de calor. A depender da intensidade, o principal impacto nos próximos meses serão temperaturas mais altas do que a média histórica. O El Niño é um fenômeno natural que consiste no aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Ele altera as correntes marítimas e a circulação da atmosfera, reorganizando o clima em todo o planeta, confirmando que o principal motivo é o aquecimento global.
Fonte: @rodaviva @forbesagro @gov.br @brasilescola @climatempo
terça-feira, 9 de junho de 2026
Conecta 75
#ciencia #humano #absorvente #biodegradavel #saude #SustainPads
Essas meninas de uma escola pública brasileira criaram um absorvente biodegradável que poderia ajudar milhões de mulheres no mundo que muitas vezes não têm acesso nem ao básico para higiene íntima, trazendo uma série de riscos à saúde delas. As estudantes Camille Pereira dos Santos e Laura Nedel Drebs desenvolveram o projeto na Escola Técnica Estadual Frederico Guilherme Schmidt, no Rio Grande do Sul. Elas constataram um problema gigantesco, os absorventes convencionais geram toneladas de lixo e levam séculos para se decompor, muitas mulheres ao redor do mundo ainda deixam de estudar ou de ter uma rotina tradicional durante o período menstrual, justamente por não conseguirem comprar esse tipo de produto. Foi aí que junto com a escola elas criaram o “Sustain Pads”, um absorvente sustentável feito a partir das fibras da palmeira juçara e do pseudocaule da bananeira, materiais naturais e de baixo valor comercial que normalmente seriam descartados, e acabariam no lixo. E além de biodegradável e compostável, o custo de produção dessa opção ficou em incríveis 2 centavos por unidade. O impacto desse projeto foi tão grande que ele um conquistou prêmio internacional na Suécia, com reconhecimento na Forbes Under 30. Mas o Sustain Pads infelizmente ainda aguarda investimentos e parcerias industriais para produção em larga escala e futura comercialização, o que poderia revolucionar completamente o acesso de baixo custo à higiene íntima no Brasil e no mundo. Em 2022, com apenas 19 anos, Camily Pereira dos Santos acreditou e desenvolveu um absorvente biodegradável, produzido a partir de materiais descartados por agricultores locais e com custo de produção de apenas R$0,02. O reconhecimento da Forbes Under 30 contribuiu para o ingresso dela na universidade de Stanford, nos Estados Unidos. O Sustain Pads, como foi batizado e desenvolvido pela estudante gaúcha durante o ensino médio, integrado no Instituto Federal do Rio Grande do Sul no campus de Osório. Junto com sua colega Laura Nedel Drebes e sob orientação da professora Flávia Twardowski, Camily desenvolveu o projeto com foco na transformação social e na solução criativa de uma questão urgente. “Acredito que a ciência tem uma importante função social. Devemos olhar para os problemas ao nosso redor e trazer soluções inovadoras e sustentáveis, mas que sejam acessíveis a todos. “Acredito que a ciência tem uma importante função social. Devemos olhar para os problemas ao nosso redor e trazer soluções inovadoras e sustentáveis, mas que sejam acessíveis a todos. O SustainPads foi criado para democratizar o acesso a um item tão básico de higiene que ainda falta a muitas meninas em todo o mundo e as impede de frequentar a escola com a devida regularidade”, ela explica. O projeto recebeu mais de 29 premiações nacionais e internacionais, incluindo o prêmio de Cientistas do Ano pela revista Glamour e o reconhecimento da Forbes Under 30. Como fruto dessa trajetória de impacto social e mérito pelo seu desempenho acadêmico, a jovem cientista passou para a universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Em 2022, ela começou a cursar Engenharia Química e foi reconhecida com uma bolsa de estudos do programa Líderes Estudar, da Fundação Estudar, que recentemente abriu novas inscrições.Esse processo é voltado para jovens que estão se aplicando, já foram aceitos ou estão matriculados para iniciar o curso em universidades norte-americanas, em qualquer área do conhecimento. O projeto SustainPads (absorventes ecológicos e de baixo custo feitos com fibras de bananeira e açaí) já teve o seu pedido de patente depositado e registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Fonte: Exame.com - @laura.drebes - ifrs.edu.br - @coracoralina
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Conecta 74
#ciencia #humano #natureza #amazonia #ibama #terrasraras
Corrida por terras raras já acende alerta sobre garimpo ilegal na Amazônia.
Setor mineral e integrantes do governo avaliam risco de estruturas criminosas migrarem para exploração ilegal de terras raras na Amazônia. Mineradoras e integrantes do governo já tratam como risco real a atuação do garimpo ilegal sobre terras raras e minerais críticos, sobretudo na Amazônia. A informação foi relatada pelo ex-comandante-geral da Polícia Militar do Rio, coronel Ubiratan Ângelo, e confirmada junto a fontes do setor mineral. A preocupação envolve a possibilidade de organizações criminosas adaptarem estruturas já usadas hoje no garimpo ilegal de ouro para explorar minerais estratégicos em áreas remotas da floresta. O receio é que rotas clandestinas, maquinário pesado, sistemas de lavagem da origem mineral e redes de transporte ilegal passem também a operar em torno das terras raras, grupo de minerais usados na fabricação de carros elétricos, turbinas e equipamentos de defesa. O tema entrou de vez na pauta do governo e do setor mineral por causa da corrida internacional pelos chamados minerais críticos, que viraram um ativo-chave nas relações internacionais. O Brasil possui a segunda maior reserva desses minerais no mundo, atrás somente da China. A discussão avançou junto com a tramitação do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, aprovado pela Câmara neste mês e agora em análise no Senado. O texto prevê incentivos fiscais, fundo garantidor bilionário, regras para exploração de terras raras e a criação de um conselho com poder para analisar operações consideradas estratégicas para a soberania nacional.
Para piorar a fiscalização e favorecer o desmatamento foi apresentado Projeto de Lei (PL) 2564/2025, que altera a Lei de Crimes Ambientais, para proibir que o Ibama e outros órgãos ambientais realizem embargos e apliquem medidas cautelares unicamente com base em imagens de satélite ou detecção remota. Aprovado pela Câmara dos Deputados, este texto proíbe o Ibama de aplicar embargos imediatos de terras ou multas baseando-se unicamente em imagens de satélite. A nova regra exige que o produtor rural seja notificado previamente para se defender antes de qualquer punição remota, o que, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e fiscais do Ibama, inviabiliza o combate rápido ao desmatamento em tempo real. Como funciona hoje versus o que propõe o PL. Regra atual: Agentes do Ibama e do ICMBio têm respaldo legal para queimar tratores, escavadeiras, helicópteros e aviões do garimpo ilegal e destruição imediata de maquinários como uma antecipação de pena, proibindo o ato antes de um processo administrativo finalizado com direito a defesa prévia. Essa inutilização ocorre de forma imediata em áreas isoladas (como Terras Indígenas na Amazônia) quando a remoção do maquinário pesado é logisticamente inviável ou coloca em risco a vida dos fiscais. Com o PL 2564/2025: Essa queima fica proibida. Os parlamentares que apoiam a medida sustentam que a destruição de patrimônio sem julgamento definitivo viola o direito de propriedade e os princípios democráticos. Há também outros projetos correlatos em andamento, que sugerem doar ou reciclar o maquinário em vez de destruí-lo. Como o texto foi aprovado na Câmara dos Deputados em maio de 2026, ele ainda não virou lei. A proposta precisa ser votada e aprovada pelo Senado Federal antes de seguir para sanção ou veto do Presidente da República. Órgãos ambientais (como Ibama), cientistas e ONGs alertam que a aprovação do texto pode acelerar a destruição da floresta, inviabiliza a fiscalização e dificulta para os fiscais atenderem a cada alerta de satélite antes de agir, tornando o combate ao desmatamento logisticamente impossível. Fortalece o crime organizado, pois proibir a queima de maquinário pesado em locais inacessíveis significa que os fiscais terão de deixar tratores e helicópteros para trás, permitindo que os garimpeiros e madeireiros ilegais os recuperem e voltem a operar no dia seguinte. O Projeto de Lei é considerado positivo por defensores do setor agropecuário e altamente prejudicial por ambientalistas e órgãos de fiscalização. Fiquemos atentos, preservar a natureza e os povos originários é o melhor investimento!
Fonte: @amadomundo / Agência Câmara de Notícias / Ibama / gov.br
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