terça-feira, 14 de julho de 2026

Conecta 80

#ciência #humano #resistência #biopirataria #povosoriginarios #garimpoilegal Trazer histórias de vitória das comunidades que enfrentam multinacionais que destroem o meio ambiente é fundamental, pois mostra que mesmo diante de disparidades financeiras e políticas brutais, a resistência organizada e o uso estratégico do direito internacional podem vencer gigantes. Destacamos quatro dos casos mais emblemáticos e recentes no Brasil e no mundo, onde povos tradicionais conseguiram derrotar multinacionais e governos cúmplices: 1- O povo Waorani vs. Indústria do Petróleo (Equador). Em 2019, o povo indígena Waorani conquistou uma vitória histórica na Suprema Corte do Equador que ecoou globalmente. O governo equatoriano havia fatiado a floresta amazônica em blocos e planejava leiloar meio milhão de acres de terras ancestrais Waorani para multinacionais do petróleo. Os Waorani provaram na Justiça que o processo de consulta prévia realizado pelo governo foi manipulado e repleto de fraudes, resultado. O tribunal suspendeu o leilão por tempo indeterminado e criou um precedente legal poderosíssimo para toda a Amazônia, exigindo o cumprimento estrito da consulta prévia, livre e informada. 2- Povo Ashaninka vs. Indústria madeireira e biopirataria (Brasil). Os Ashaninka, do Acre, são protagonistas de duas vitórias jurídicas colossais que servem de modelo internacional. No caso do desmatamento, após duas décadas de disputa judicial contra empresas ligadas a uma poderosa família de madeireiros (que retiravam ilegalmente mogno e cedro de suas terras nos anos 1980 para abastecer o mercado de luxo europeu), os Ashaninka venceram. Eles receberam uma indenização milionária e um inédito pedido oficial de desculpas que reconheceu seu papel como guardiões da floresta. No caso Murmuru (Biopirataria), a comunidade moveu e venceu ações contra indústrias químicas e de cosméticos que acessaram o conhecimento tradicional do povo sobre o murmuru (um fruto local com alto poder hidratante) para lucrar com produtos sem autorização prévia ou partilha de benefícios, consagrando a proteção jurídica da biodiversidade e da propriedade intelectual indígena. 3- Povo Dongria Kondh vs. Vedanta Resources (Índia), nas montanhas sagradas de Niyamgiri, no estado de Odisha, o povo Dongria Kondh enfrentou a gigante britânica de mineração Vedanta Resources, que planejava abrir uma mina de bauxita a céu aberto orçada em bilhões de dólares, o que destruiria as florestas e o modo de vida local. O trunfo jurídico veio em 2013, a Suprema Corte da Índia determinou que a comunidade local tinha o direito de decidir se a mineração seria permitida. O resultado: Através de assembleias populares a comunidade rejeitou o projeto por unanimidade. A decisão forçou a multinacional a recuar, tornando-se o caso de Davi contra Golias mais famoso da Ásia. 4- Povo Ka'apor vs. Mercado de Créditos de Carbono (Maranhão, Brasil), um caso extremamente recente e vital para os debates atuais sobre o chamado "colonialismo verde". Uma empresa norte-americana tentou implementar um megaprojeto de créditos de carbono nas terras do povo Ka'apor. O trunfo jurídico veio e o conselho Tuxa Ta Pame, liderança dos Ka'apor, acionou a Justiça Federal denunciando que o projeto estava dividindo a comunidade e avançando sem o consentimento real e unificado do povo. O resultado: A Justiça Federal determinou a suspensão imediata de todas as atividades da empresa sob pena de multa diária, provando que nem mesmo os novos mercados "sustentáveis" podem atropelar a autonomia e a governança dos povos originários. Importante é destacar que a terra para essas populações não é uma mercadoria (commodity). A vitória jurídica deles é de todos nós, não visa o enriquecimento, mas sim a garantia de que a floresta permaneça em pé e a água permaneça limpa, ainda mais agora com a exploração das terras raras. Como parte de uma reparação histórica, a política de regularização fundiária de Territórios Quilombolas aconteceu, é importante para a dignidade e garantia da continuidade desses grupos étnicos. Uma grande conquista que merece destaque foi da tribo dos Yanomamis que conseguiram acabar com 98% do garimpo ilegal na Amazonia, conta a Ministra dos Povos Indígenas e Deputada Federal Sonia Guajajara no programa Chico Pinheiro entrevista no canal ICL. Fonte: @iclnoticias @gov.br

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Conecta 79

#ciencia #tecnologia #inteligenciaartificial #claudefable5 #meioambiente Conectando tecnologia, meio ambiente e futuro. Inteligência Artificial na linha de frente da conservação. Nas últimas semanas, o mundo da tecnologia foi sacudido pelo turbulento lançamento dos novos modelos de inteligência artificial da Anthropic. Mas, longe das disputas corporativas e das novelas geopolíticas de Washington, uma aplicação prática e silenciosa desses supercomputadores acendeu uma luz de esperança para o futuro da conservação ambiental do nosso planeta. Antes de ser temporariamente retirado do ar por diretivas governamentais, o Claude Fable 5 foi colocado à prova em um dos ecossistemas mais complexos e desafiadores do mundo, o Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia. O desafio dos grandes ecossistemas foi posto à prova, mapear uma área protegida da magnitude de Yosemite não é apenas traçar linhas em um mapa de satélite. Significa processar terabytes de dados brutos que incluem topografia de relevo, índices de umidade do solo, saúde das copas das árvores, padrões de migração da fauna e, crucialmente, o acúmulo de biomassa seca que é o combustível para os incêndios florestais. Normalmente, equipes de ecologistas, geólogos e guardas florestais levam anos cruzando dados de campo para atualizar os modelos preditivos do parque. O Fable 5, utilizando sua gigantesca capacidade de processamento autônomo e uma janela de contexto sem precedentes, realizou um mapeamento ecológico profundo e integrado em apenas 18 horas. Tecnologia a serviço da vida é o que tornou o mapeamento do Fable 5 um marco histórico para as ciências ambientais. Prevenção de incêndios dinâmicos, o modelo cruzou dados de calor dos últimos dez anos com imagens de satélite em tempo real, gerando um mapa térmico que aponta com precisão cirúrgica quais micro-regiões correm risco iminente de incêndio caso haja uma descarga elétrica atmosférica. Gestão de Recursos Hídricos: Yosemite atua como uma gigantesca "esponja natural" que armazena água nas suas florestas e solos para abastecer as bacias hidrográficas da região. A IA mapeou o fluxo invisível dessa água subterrânea, prevendo o impacto exato da estiagem nas áreas de mata fechada. Monitoramento de Espécies: Ao analisar registros de áudio de biofonia (sons da floresta) captados por sensores espalhados pelo parque, o modelo isolou e identificou os padrões de comportamento de espécies ameaçadas, mapeando suas rotas sem causar qualquer interferência humana. A experiência em Yosemite nos deixa uma lição valiosa. Embora o debate global sobre a IA esteja saturado de preocupações sobre mercado financeiro e segurança militar, o verdadeiro valor dessas mentes digitais pode residir na nossa capacidade de compreender e salvar o mundo natural. Ferramentas como o Fable 5 provam que a tecnologia não precisa ser a antagonista da biosfera. Pelo contrário: se bem direcionada, ela pode ser o par de olhos mais potente que já tivemos para monitorar, respeitar e proteger a riqueza das nossas florestas, rios e reservas biológicas. Que os impasses burocráticos se resolvam, pois a Terra não tem tempo a perder. A mesma tecnologia que assusta pelas suas capacidades de automação é a que nos oferece as ferramentas mais precisas para curar as feridas ambientais do planeta. O futuro dessa evolução na prevenção de catástrofes prova que a inteligência artificial deixou de ser um assistente de texto para se tornar uma força de trabalho autônoma capaz de impactar a segurança nacional e a ecologia global. Fable 5 deu mais luz à IA, e certamente a fez atingir a maioridade, que permite ser explorada pela ciência, medicina e trazer benefícios para a população global. Parque Nacional de Yosemite: complexidade ecológica decifrada em tempo recorde por inteligência artificial profunda. Fonte: Youtube @meio Pedro+Cora

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Conecta 78

#ciencia #zoologia #mataatlantica #soroantiofidico #cobras #serpentes A produção de soros antiofídicos é um trabalho multidisciplinar que envolve profissionais de diversas áreas da ciência, saúde e produção biotecnológica. O desenvolvimento de um único lote de soro antiofídico pode envolver dezenas de profissionais diferentes, desde pesquisadores que estudam as cobras na Mata Atlântica até médicos que aplicam o tratamento nos hospitais. É um excelente exemplo de como a zoologia, a medicina, a veterinária e a biotecnologia trabalham juntas para salvar vidas, vamos conhecer e exaltar a dedicação desses profissionais. Herpetólogo: Estuda as serpentes, identifica espécies peçonhentas, auxilia na coleta de venenos, pesquisa a distribuição das cobras na natureza. Biólogo: Estuda a composição dos venenos, analisa toxinas e seus efeitos, desenvolve pesquisas sobre novos antivenenos. Biotecnologista: Desenvolve novas tecnologias para produção de soros, trabalha com engenharia genética e anticorpos, pesquisa antivenenos de nova geração. Bioquímico: Analisa proteínas e enzimas presentes nos venenos, avalia a eficácia dos soros produzidos. Farmacêutico: Participa da produção industrial dos soros, realiza controle de qualidade, garante a segurança do produto final. Médico Toxicologista: Trata pacientes vítimas de acidentes ofídicos, avalia a eficácia dos soros, desenvolve protocolos clínicos. Médico Veterinário: Cuida dos cavalos utilizados na produção do soro, monitora a saúde dos animais doadores de anticorpos e garante o bem-estar animal durante o processo. Biomédico: Atua em laboratórios de pesquisa e desenvolve testes imunológicos, auxilia na validação dos soros. Epidemiologista: Analisa dados de acidentes com serpentes, ajuda a planejar a distribuição dos soros no país. Engenheiro de Bioprocessos: Coordena equipamentos industriais, desenvolve métodos de purificação dos soros, otimiza a produção em larga escala. Existem diversos tipos de soros utilizados na medicina para neutralizar venenos, toxinas e agentes infecciosos. Soros para serpentes: Soro Antibotrópico (SAB) utilizado para acidentes causados por Jararaca (Bothrops jararaca), Urutu (Bothrops alternatus), Jararacuçu (Bothrops jararacussu). Soro Anticrotálico (SAC) para acidentes com cascavel. Soro Antielapídico (SAE) para acidentes com coral-verdadeira. Soro Antilaquético (SAL) para acidentes com surucucu-pico-de-jaca. Soro Antibotrópico-Laquético (SABL) utilizado quando há suspeita entre jararacas e surucucus. Soros para aranhas - Soro Antiaracnídico (SAAR) indicado para acidentes por armadeira,aranha-marrom. Soro Antiloxoscélico específico para Aranha-marrom. Soros para escorpiões: Soro Antiescorpiônico (SAEsc) utilizado para acidentes por escorpião-amarelo, outras espécies do gênero Tityus. Soros para insetos: Soro Antielapídico utilizado em casos graves de múltiplas ferroadas de abelha-africanizada é um dos soros mais recentes desenvolvidos no Brasil. Outros soros importantes: Soro Antirrábico utilizado após exposição ao vírus da raiva. Soro Antitetânico contra a toxina do tétano. Soro Antidiftérico contra a toxina da difteria. Soro Antibotulínico utilizado para tratar o botulismo. A palavra soro significa uma solução contendo anticorpos capazes de neutralizar toxinas ou microrganismos. Os soros antiofídicos salvam milhares de vidas todos os anos no Brasil e são considerados uma das maiores conquistas da medicina tropical. Durante muitos anos, os soros antiofídicos foram produzidos praticamente da mesma forma. Hoje, graças à genética, à biotecnologia e à inteligência artificial, estamos entrando em uma nova era da medicina. A tecnologia está transformando profundamente a fabricação dos Soros Antiofídicos, tornando-os mais seguros, eficientes e acessíveis. O conhecimento das serpentes e de seus venenos não apenas salva vidas após acidentes, mas também ajuda a desenvolver medicamentos que beneficiam milhões de pessoas em todo o mundo.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Conecta 77

#ciencia #zoologia #mataatlantica #soroantiofidico #cobras #serpentes Com o aumento de casos de ataques das serpentes da Mata Atlântica, vamos trazer várias explicações. A Zoologia é o ramo da biologia que estuda os animais. A palavra vem do grego: “zoo” = animal, “logia” = estudo, ou seja, Zoologia significa “estudo dos animais”. "Serpentes da Mata Atlântica, conheça as principais cobras peçonhentas do bioma". Como devemos chamar cobra ou serpente? As duas formas estão corretas, mas dependem do contexto. “Serpente” é um termo científico e zoológico. Os biólogos, herpetólogos e materiais acadêmicos costumam usar "serpente" porque é o nome do grupo de animais da subordem Serpentes. Exemplo: A jararaca é uma serpente peçonhenta da Mata Atlântica. “Cobra”é o termo popular mais utilizado no Brasil. Na linguagem do dia a dia, praticamente todas as serpentes são chamadas de cobras. Exemplo: Encontramos uma cobra durante a trilha. Quando ouvimos a palavra “cobra”, muitas vezes sentimos medo. Isso acontece porque, ao longo da história, esses animais foram cercados de mitos, histórias e desinformação. Porém, hoje vamos descobrir que as serpentes são fundamentais para o equilíbrio da natureza e possuem um papel essencial na manutenção da vida nas florestas. A Mata Atlântica abriga uma enorme diversidade de serpentes, desde espécies pequenas e inofensivas até serpentes peçonhentas conhecidas, como a jararaca, a cascavel e a coral-verdadeira. Cada uma delas possui características únicas, hábitos diferentes e uma função ecológica muito importante. Vamos identificar algumas espécies, quais são peçonhentas e quais não oferecem perigo, como agir em caso de acidentes, a importância das serpentes para o controle de pragas e doenças, e por que preservar esses animais também significa preservar a nossa própria sobrevivência. As serpentes ajudam a controlar populações de ratos e outros animais, colaborando diretamente para o equilíbrio ambiental e até para a saúde pública. Além disso, os estudos científicos com venenos de serpentes já contribuíram para a criação de medicamentos importantes utilizados no mundo inteiro. Nosso objetivo hoje não é ensinar medo, mas sim conhecimento, respeito e conservação. Diferença entre veneno e peçonha? O veneno é produzido pelo organismo, mas o animal não possui um aparelho inoculador ativo. O envenenamento ocorre de forma passiva, geralmente quando a presa entra em contato com a pele do animal, o ingere ou sofre pressão em glândulas específicas (ex: sapos-cururus, baiacus e certas rãs). A peçonha é uma substância tóxica produzida por alguns animais para defesa ou caça. Animal peçonhento é o animal que injeta a toxina, como cobras, escorpiões, aranhas, arraias, eles possuem presas, ferrões, espinhos, ou agulhões. A peçonha normalmente contém proteínas, enzimas, toxinas neurotóxicas, hemotóxicas, ou citotóxicas. Embora os dois termos sejam tipos de substâncias tóxicas, a distinção principal está na forma como a toxina entra no organismo. Essas substâncias podem paralisar, causar dor, destruir tecidos, afetar o sangue, ou atacar o sistema nervoso. As peçonhas são muito estudadas pela medicina porque podem ajudar no desenvolvimento de remédios, anestésicos, medicamentos contra hipertensão, tratamentos neurológicos e pesquisas contra o câncer. A urutu é um exemplo das serpentes peçonhentas mais importantes e perigosas da Mata Atlântica e do Sul do Brasil. Seu nome tem origem na língua tupi e significa aproximadamente "cobra muito feroz" ou "cobra grande". Ela é facilmente reconhecida pelo desenho em forma de cruz na cabeça, motivo pelo qual também é chamada de urutu-cruzeiro. Quanto mais rápido o soro antiofídico for administrado, maiores são as chances de recuperação completa e menores os riscos de sequelas. No Alto Ribeira o Hospital de Apiai é o mais próximo para atendimentos urgentes, o tratamento é gratuito pelo SUS, e possuem soros distribuídos pelo Instituto Butantan e pela Fundação Oswaldo Cruz, ou Disque SAMU 192. Quando a Mata Encolhe, a Vida Avança: O Desequilíbrio que Multiplica Serpentes. Por mais distante que a vida urbana pareça estar do coração da Mata Atlântica, existe um fio invisível que conecta a saúde da floresta diretamente ao nosso quintal. Quando esse ecossistema é agredido, a resposta da natureza muitas vezes surge de forma silenciosa e rasteira. Um dos reflexos mais nítidos do desequilíbrio ambiental hoje é o aumento do avistamento e da população de serpentes em áreas de transição e centros urbanos. Mas, ao contrário do que o senso comum dita, isso não é uma "invasão" dos animais. É uma fuga pela sobrevivência motivada por fatores gerados por nós. A Dinâmica do Desequilíbrio: A multiplicação e o aparecimento frequente de espécies como a jararaca e a cascavel na Mata Atlântica acontecem devido a três fatores principais interligados. A Perda de Predadores Naturais: Com o desmatamento e a caça, animais que estão no topo da cadeia alimentar e controlam a população de cobras (como gaviões, corujas e quatis) perdem habitat ou desaparecem. Sem predadores, a taxa de sobrevivência das serpentes dispara. A Explosão de Roedores: Cidades e plantações próximas às florestas geram acúmulo de lixo orgânico. Isso atrai uma enorme quantidade de ratos. Como os roedores são a base da dieta de cobras peçonhentas, cria-se um banquete ideal para que elas se reproduzam mais. Efeito de Borda e Perda de Habitat: A fragmentação das matas destrói o interior úmido e preservado da floresta. Sem seu refúgio original, as serpentes se deslocam para as "bordas" da mata que coincidem justamente com estradas, sítios e bairros residenciais. O Ecossistema como Espelho: O aumento de serpentes não indica uma floresta "forte" ou cheia de vida, mas sim um ambiente fragmentado e sob estresse crônico. Nesta edição da Coluna Conecta, convidamos você a entender que preservar a biodiversidade vai muito além de proteger paisagens bonitas. Significa manter cada peça da engrenagem viva em seu devido lugar, garantindo a segurança de todas as espécies, inclusive a nossa.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Conecta 76

#ciencia #humano #mudancasclimaticas #aquecimentoglobal #ElNiño Junho, mês do Meio Ambiente, é um período de reflexão e compromisso com a preservação do planeta. No entanto, vamos passar por momentos delicados que podem alterar o modo de vida em diversos países com a vinda do El Niño, é o que dizem alguns especialistas. Cerca de 95% do desmatamento na Amazônia é ilegal, diz Paulo Artaxo, em entrevista ao Roda Viva, a devastação da floresta não é apenas um problema que causa o desiquilibrio ambiental, mas um motor que alimenta diretamente o crime organizado. Paulo Artaxo, diretor do Centro de Estudos da Amazônia Sustentável da USP e uma das maiores autoridades mundiais em clima. Laureado com o Planet Earth Award 2026 e autor-líder nos três últimos relatórios do IPCC, na ONU foi agraciado com o Nobel da Paz, Artaxo analisa o cenário de transição global rumo à sustentabilidade. Em debate, os impactos das mudanças climáticas, as vulnerabilidades e vantagens estratégicas do Brasil, o impacto do próximo El Niño, o ponto de não retorno da Amazônia e a resiliência das cidades. O especialista alerta que atividades ilícitas como a grilagem de terras públicas, a invasão de territórios indígenas e o garimpo ilegal estão dominando a região. Artaxo destacou que o lançamento maciço de mercúrio nos rios por conta da mineração ilegal vai deixar sequelas por centenas de anos nos ecossistemas. O momento atual é mais um ponto de transição da humanidade, assim como foram o fim do Feudalismo, a Revolução Industrial e as Grandes Guerras. Artaxo pontua que o atual sistema econômico é insustentável a curto prazo e que a transformação para uma sociedade sustentável é inevitável. No entanto, o alerta do cientista é para o custo social dessa mudança: as fortes tensões econômicas atuais e o fato de que bilhões de pessoas, especialmente em países vulneráveis como os do continente africano, não terão recursos para fazer essa transição a tempo. Artaxo defende que a melhora ambiental e social do país passa, obrigatoriamente, por uma renovação do Congresso Nacional, hoje dominado por setores como o agronegócio, mineração, bancada da bala e dos agrotóxicos e agora o perigo dos data centers, portanto não está na pauta a questão de converter os combustíveis fósseis em energias renováveis. O espaço que falta ser ocupado é o da "bancada do povo". O Sr. José Antonio Marengo Orsini passou em uma audiência pública no Senado Federal cercado por parlamentares preocupados com um assunto que explodiu nas manchetes internacionais nas últimas semanas: o risco de um possível “Super El Niño”. Senadores falam sobre a soja, enchentes, escolas fechadas, incêndios no Pantanal e risco de colapso hídrico. Parte da discussão vinha carregada por projeções climáticas extremas que circulam nas redes sociais e em vídeos de influenciadores. Horas depois, já fora da audiência, o climatologista resumiu à Forbes Agro o ponto central da discussão: o El Niño está praticamente confirmado. O tamanho do problema, ainda não, afirmou Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Para o Brasil, o El Niño tem impactos de seca no norte e no leste da Amazônia e no norte do Nordeste durante o ano. Se o El Niño persistir no segundo semestre de 2026, poderá ter impactos no ano que vem. Para o Sul do Brasil, o impacto é na primavera do hemisfério Sul [em setembro como aconteceu em anos anteriores]. Caso se configure El Niño em julho ou agosto, significa que a região Sudeste terá um inverno menos frio do que o normal e pode ser que tenha períodos com ondas de calor. A depender da intensidade, o principal impacto nos próximos meses serão temperaturas mais altas do que a média histórica. O El Niño é um fenômeno natural que consiste no aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Ele altera as correntes marítimas e a circulação da atmosfera, reorganizando o clima em todo o planeta, confirmando que o principal motivo é o aquecimento global. Fonte: @rodaviva @forbesagro @gov.br @brasilescola @climatempo