segunda-feira, 22 de junho de 2026
Conecta 77
#ciencia #zoologia #mataatlantica #soroantiofidico #cobras #serpentes
Com o aumento de casos de ataques das serpentes da Mata Atlântica, vamos trazer várias explicações. A Zoologia é o ramo da biologia que estuda os animais. A palavra vem do grego: “zoo” = animal, “logia” = estudo, ou seja, Zoologia significa “estudo dos animais”. "Serpentes da Mata Atlântica, conheça as principais cobras peçonhentas do bioma". Como devemos chamar cobra ou serpente? As duas formas estão corretas, mas dependem do contexto. “Serpente” é um termo científico e zoológico. Os biólogos, herpetólogos e materiais acadêmicos costumam usar "serpente" porque é o nome do grupo de animais da subordem Serpentes. Exemplo: A jararaca é uma serpente peçonhenta da Mata Atlântica. “Cobra”é o termo popular mais utilizado no Brasil. Na linguagem do dia a dia, praticamente todas as serpentes são chamadas de cobras. Exemplo: Encontramos uma cobra durante a trilha. Quando ouvimos a palavra “cobra”, muitas vezes sentimos medo. Isso acontece porque, ao longo da história, esses animais foram cercados de mitos, histórias e desinformação. Porém, hoje vamos descobrir que as serpentes são fundamentais para o equilíbrio da natureza e possuem um papel essencial na manutenção da vida nas florestas. A Mata Atlântica abriga uma enorme diversidade de serpentes, desde espécies pequenas e inofensivas até serpentes peçonhentas conhecidas, como a jararaca, a cascavel e a coral-verdadeira. Cada uma delas possui características únicas, hábitos diferentes e uma função ecológica muito importante. Vamos identificar algumas espécies, quais são peçonhentas e quais não oferecem perigo, como agir em caso de acidentes, a importância das serpentes para o controle de pragas e doenças, e por que preservar esses animais também significa preservar a nossa própria sobrevivência. As serpentes ajudam a controlar populações de ratos e outros animais, colaborando diretamente para o equilíbrio ambiental e até para a saúde pública. Além disso, os estudos científicos com venenos de serpentes já contribuíram para a criação de medicamentos importantes utilizados no mundo inteiro. Nosso objetivo hoje não é ensinar medo, mas sim conhecimento, respeito e conservação. Diferença entre veneno e peçonha? O veneno é produzido pelo organismo, mas o animal não possui um aparelho inoculador ativo. O envenenamento ocorre de forma passiva, geralmente quando a presa entra em contato com a pele do animal, o ingere ou sofre pressão em glândulas específicas (ex: sapos-cururus, baiacus e certas rãs). A peçonha é uma substância tóxica produzida por alguns animais para defesa ou caça. Animal peçonhento é o animal que injeta a toxina, como cobras, escorpiões, aranhas, arraias, eles possuem presas, ferrões, espinhos, ou agulhões. A peçonha normalmente contém proteínas, enzimas, toxinas neurotóxicas, hemotóxicas, ou citotóxicas. Embora os dois termos sejam tipos de substâncias tóxicas, a distinção principal está na forma como a toxina entra no organismo. Essas substâncias podem paralisar, causar dor, destruir tecidos, afetar o sangue, ou atacar o sistema nervoso. As peçonhas são muito estudadas pela medicina porque podem ajudar no desenvolvimento de remédios, anestésicos, medicamentos contra hipertensão, tratamentos neurológicos e pesquisas contra o câncer. A urutu é um exemplo das serpentes peçonhentas mais importantes e perigosas da Mata Atlântica e do Sul do Brasil. Seu nome tem origem na língua tupi e significa aproximadamente "cobra muito feroz" ou "cobra grande". Ela é facilmente reconhecida pelo desenho em forma de cruz na cabeça, motivo pelo qual também é chamada de urutu-cruzeiro. Quanto mais rápido o soro antiofídico for administrado, maiores são as chances de recuperação completa e menores os riscos de sequelas. No Alto Ribeira o Hospital de Apiai é o mais próximo para atendimentos urgentes, o tratamento é gratuito pelo SUS, e possuem soros distribuídos pelo Instituto Butantan e pela Fundação Oswaldo Cruz, ou Disque SAMU 192.
Quando a Mata Encolhe, a Vida Avança: O Desequilíbrio que Multiplica Serpentes.
Por mais distante que a vida urbana pareça estar do coração da Mata Atlântica, existe um fio invisível que conecta a saúde da floresta diretamente ao nosso quintal. Quando esse ecossistema é agredido, a resposta da natureza muitas vezes surge de forma silenciosa e rasteira. Um dos reflexos mais nítidos do desequilíbrio ambiental hoje é o aumento do avistamento e da população de serpentes em áreas de transição e centros urbanos.
Mas, ao contrário do que o senso comum dita, isso não é uma "invasão" dos animais. É uma fuga pela sobrevivência motivada por fatores gerados por nós.
A Dinâmica do Desequilíbrio: A multiplicação e o aparecimento frequente de espécies como a jararaca e a cascavel na Mata Atlântica acontecem devido a três fatores principais interligados. A Perda de Predadores Naturais: Com o desmatamento e a caça, animais que estão no topo da cadeia alimentar e controlam a população de cobras (como gaviões, corujas e quatis) perdem habitat ou desaparecem. Sem predadores, a taxa de sobrevivência das serpentes dispara. A Explosão de Roedores: Cidades e plantações próximas às florestas geram acúmulo de lixo orgânico. Isso atrai uma enorme quantidade de ratos. Como os roedores são a base da dieta de cobras peçonhentas, cria-se um banquete ideal para que elas se reproduzam mais. Efeito de Borda e Perda de Habitat: A fragmentação das matas destrói o interior úmido e preservado da floresta. Sem seu refúgio original, as serpentes se deslocam para as "bordas" da mata que coincidem justamente com estradas, sítios e bairros residenciais. O Ecossistema como Espelho: O aumento de serpentes não indica uma floresta "forte" ou cheia de vida, mas sim um ambiente fragmentado e sob estresse crônico. Nesta edição da Coluna Conecta, convidamos você a entender que preservar a biodiversidade vai muito além de proteger paisagens bonitas. Significa manter cada peça da engrenagem viva em seu devido lugar, garantindo a segurança de todas as espécies, inclusive a nossa.
terça-feira, 16 de junho de 2026
Conecta 76
#ciencia #humano #mudancasclimaticas #aquecimentoglobal #ElNiño
Junho, mês do Meio Ambiente, é um período de reflexão e compromisso com a preservação do planeta. No entanto, vamos passar por momentos delicados que podem alterar o modo de vida em diversos países com a vinda do El Niño, é o que dizem alguns especialistas. Cerca de 95% do desmatamento na Amazônia é ilegal, diz Paulo Artaxo, em entrevista ao Roda Viva, a devastação da floresta não é apenas um problema que causa o desiquilibrio ambiental, mas um motor que alimenta diretamente o crime organizado. Paulo Artaxo, diretor do Centro de Estudos da Amazônia Sustentável da USP e uma das maiores autoridades mundiais em clima. Laureado com o Planet Earth Award 2026 e autor-líder nos três últimos relatórios do IPCC, na ONU foi agraciado com o Nobel da Paz, Artaxo analisa o cenário de transição global rumo à sustentabilidade. Em debate, os impactos das mudanças climáticas, as vulnerabilidades e vantagens estratégicas do Brasil, o impacto do próximo El Niño, o ponto de não retorno da Amazônia e a resiliência das cidades. O especialista alerta que atividades ilícitas como a grilagem de terras públicas, a invasão de territórios indígenas e o garimpo ilegal estão dominando a região. Artaxo destacou que o lançamento maciço de mercúrio nos rios por conta da mineração ilegal vai deixar sequelas por centenas de anos nos ecossistemas. O momento atual é mais um ponto de transição da humanidade, assim como foram o fim do Feudalismo, a Revolução Industrial e as Grandes Guerras. Artaxo pontua que o atual sistema econômico é insustentável a curto prazo e que a transformação para uma sociedade sustentável é inevitável. No entanto, o alerta do cientista é para o custo social dessa mudança: as fortes tensões econômicas atuais e o fato de que bilhões de pessoas, especialmente em países vulneráveis como os do continente africano, não terão recursos para fazer essa transição a tempo. Artaxo defende que a melhora ambiental e social do país passa, obrigatoriamente, por uma renovação do Congresso Nacional, hoje dominado por setores como o agronegócio, mineração, bancada da bala e dos agrotóxicos e agora o perigo dos data centers, portanto não está na pauta a questão de converter os combustíveis fósseis em energias renováveis. O espaço que falta ser ocupado é o da "bancada do povo". O Sr. José Antonio Marengo Orsini passou em uma audiência pública no Senado Federal cercado por parlamentares preocupados com um assunto que explodiu nas manchetes internacionais nas últimas semanas: o risco de um possível “Super El Niño”. Senadores falam sobre a soja, enchentes, escolas fechadas, incêndios no Pantanal e risco de colapso hídrico. Parte da discussão vinha carregada por projeções climáticas extremas que circulam nas redes sociais e em vídeos de influenciadores. Horas depois, já fora da audiência, o climatologista resumiu à Forbes Agro o ponto central da discussão: o El Niño está praticamente confirmado. O tamanho do problema, ainda não, afirmou Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Para o Brasil, o El Niño tem impactos de seca no norte e no leste da Amazônia e no norte do Nordeste durante o ano. Se o El Niño persistir no segundo semestre de 2026, poderá ter impactos no ano que vem. Para o Sul do Brasil, o impacto é na primavera do hemisfério Sul [em setembro como aconteceu em anos anteriores]. Caso se configure El Niño em julho ou agosto, significa que a região Sudeste terá um inverno menos frio do que o normal e pode ser que tenha períodos com ondas de calor. A depender da intensidade, o principal impacto nos próximos meses serão temperaturas mais altas do que a média histórica. O El Niño é um fenômeno natural que consiste no aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Ele altera as correntes marítimas e a circulação da atmosfera, reorganizando o clima em todo o planeta, confirmando que o principal motivo é o aquecimento global.
Fonte: @rodaviva @forbesagro @gov.br @brasilescola @climatempo
terça-feira, 9 de junho de 2026
Conecta 75
#ciencia #humano #absorvente #biodegradavel #saude #SustainPads
Essas meninas de uma escola pública brasileira criaram um absorvente biodegradável que poderia ajudar milhões de mulheres no mundo que muitas vezes não têm acesso nem ao básico para higiene íntima, trazendo uma série de riscos à saúde delas. As estudantes Camille Pereira dos Santos e Laura Nedel Drebs desenvolveram o projeto na Escola Técnica Estadual Frederico Guilherme Schmidt, no Rio Grande do Sul. Elas constataram um problema gigantesco, os absorventes convencionais geram toneladas de lixo e levam séculos para se decompor, muitas mulheres ao redor do mundo ainda deixam de estudar ou de ter uma rotina tradicional durante o período menstrual, justamente por não conseguirem comprar esse tipo de produto. Foi aí que junto com a escola elas criaram o “Sustain Pads”, um absorvente sustentável feito a partir das fibras da palmeira juçara e do pseudocaule da bananeira, materiais naturais e de baixo valor comercial que normalmente seriam descartados, e acabariam no lixo. E além de biodegradável e compostável, o custo de produção dessa opção ficou em incríveis 2 centavos por unidade. O impacto desse projeto foi tão grande que ele um conquistou prêmio internacional na Suécia, com reconhecimento na Forbes Under 30. Mas o Sustain Pads infelizmente ainda aguarda investimentos e parcerias industriais para produção em larga escala e futura comercialização, o que poderia revolucionar completamente o acesso de baixo custo à higiene íntima no Brasil e no mundo. Em 2022, com apenas 19 anos, Camily Pereira dos Santos acreditou e desenvolveu um absorvente biodegradável, produzido a partir de materiais descartados por agricultores locais e com custo de produção de apenas R$0,02. O reconhecimento da Forbes Under 30 contribuiu para o ingresso dela na universidade de Stanford, nos Estados Unidos. O Sustain Pads, como foi batizado e desenvolvido pela estudante gaúcha durante o ensino médio, integrado no Instituto Federal do Rio Grande do Sul no campus de Osório. Junto com sua colega Laura Nedel Drebes e sob orientação da professora Flávia Twardowski, Camily desenvolveu o projeto com foco na transformação social e na solução criativa de uma questão urgente. “Acredito que a ciência tem uma importante função social. Devemos olhar para os problemas ao nosso redor e trazer soluções inovadoras e sustentáveis, mas que sejam acessíveis a todos. “Acredito que a ciência tem uma importante função social. Devemos olhar para os problemas ao nosso redor e trazer soluções inovadoras e sustentáveis, mas que sejam acessíveis a todos. O SustainPads foi criado para democratizar o acesso a um item tão básico de higiene que ainda falta a muitas meninas em todo o mundo e as impede de frequentar a escola com a devida regularidade”, ela explica. O projeto recebeu mais de 29 premiações nacionais e internacionais, incluindo o prêmio de Cientistas do Ano pela revista Glamour e o reconhecimento da Forbes Under 30. Como fruto dessa trajetória de impacto social e mérito pelo seu desempenho acadêmico, a jovem cientista passou para a universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Em 2022, ela começou a cursar Engenharia Química e foi reconhecida com uma bolsa de estudos do programa Líderes Estudar, da Fundação Estudar, que recentemente abriu novas inscrições.Esse processo é voltado para jovens que estão se aplicando, já foram aceitos ou estão matriculados para iniciar o curso em universidades norte-americanas, em qualquer área do conhecimento. O projeto SustainPads (absorventes ecológicos e de baixo custo feitos com fibras de bananeira e açaí) já teve o seu pedido de patente depositado e registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Fonte: Exame.com - @laura.drebes - ifrs.edu.br - @coracoralina
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Conecta 74
#ciencia #humano #natureza #amazonia #ibama #terrasraras
Corrida por terras raras já acende alerta sobre garimpo ilegal na Amazônia.
Setor mineral e integrantes do governo avaliam risco de estruturas criminosas migrarem para exploração ilegal de terras raras na Amazônia. Mineradoras e integrantes do governo já tratam como risco real a atuação do garimpo ilegal sobre terras raras e minerais críticos, sobretudo na Amazônia. A informação foi relatada pelo ex-comandante-geral da Polícia Militar do Rio, coronel Ubiratan Ângelo, e confirmada junto a fontes do setor mineral. A preocupação envolve a possibilidade de organizações criminosas adaptarem estruturas já usadas hoje no garimpo ilegal de ouro para explorar minerais estratégicos em áreas remotas da floresta. O receio é que rotas clandestinas, maquinário pesado, sistemas de lavagem da origem mineral e redes de transporte ilegal passem também a operar em torno das terras raras, grupo de minerais usados na fabricação de carros elétricos, turbinas e equipamentos de defesa. O tema entrou de vez na pauta do governo e do setor mineral por causa da corrida internacional pelos chamados minerais críticos, que viraram um ativo-chave nas relações internacionais. O Brasil possui a segunda maior reserva desses minerais no mundo, atrás somente da China. A discussão avançou junto com a tramitação do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, aprovado pela Câmara neste mês e agora em análise no Senado. O texto prevê incentivos fiscais, fundo garantidor bilionário, regras para exploração de terras raras e a criação de um conselho com poder para analisar operações consideradas estratégicas para a soberania nacional.
Para piorar a fiscalização e favorecer o desmatamento foi apresentado Projeto de Lei (PL) 2564/2025, que altera a Lei de Crimes Ambientais, para proibir que o Ibama e outros órgãos ambientais realizem embargos e apliquem medidas cautelares unicamente com base em imagens de satélite ou detecção remota. Aprovado pela Câmara dos Deputados, este texto proíbe o Ibama de aplicar embargos imediatos de terras ou multas baseando-se unicamente em imagens de satélite. A nova regra exige que o produtor rural seja notificado previamente para se defender antes de qualquer punição remota, o que, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e fiscais do Ibama, inviabiliza o combate rápido ao desmatamento em tempo real. Como funciona hoje versus o que propõe o PL. Regra atual: Agentes do Ibama e do ICMBio têm respaldo legal para queimar tratores, escavadeiras, helicópteros e aviões do garimpo ilegal e destruição imediata de maquinários como uma antecipação de pena, proibindo o ato antes de um processo administrativo finalizado com direito a defesa prévia. Essa inutilização ocorre de forma imediata em áreas isoladas (como Terras Indígenas na Amazônia) quando a remoção do maquinário pesado é logisticamente inviável ou coloca em risco a vida dos fiscais. Com o PL 2564/2025: Essa queima fica proibida. Os parlamentares que apoiam a medida sustentam que a destruição de patrimônio sem julgamento definitivo viola o direito de propriedade e os princípios democráticos. Há também outros projetos correlatos em andamento, que sugerem doar ou reciclar o maquinário em vez de destruí-lo. Como o texto foi aprovado na Câmara dos Deputados em maio de 2026, ele ainda não virou lei. A proposta precisa ser votada e aprovada pelo Senado Federal antes de seguir para sanção ou veto do Presidente da República. Órgãos ambientais (como Ibama), cientistas e ONGs alertam que a aprovação do texto pode acelerar a destruição da floresta, inviabiliza a fiscalização e dificulta para os fiscais atenderem a cada alerta de satélite antes de agir, tornando o combate ao desmatamento logisticamente impossível. Fortalece o crime organizado, pois proibir a queima de maquinário pesado em locais inacessíveis significa que os fiscais terão de deixar tratores e helicópteros para trás, permitindo que os garimpeiros e madeireiros ilegais os recuperem e voltem a operar no dia seguinte. O Projeto de Lei é considerado positivo por defensores do setor agropecuário e altamente prejudicial por ambientalistas e órgãos de fiscalização. Fiquemos atentos, preservar a natureza e os povos originários é o melhor investimento!
Fonte: @amadomundo / Agência Câmara de Notícias / Ibama / gov.br
terça-feira, 19 de maio de 2026
Conecta 73
#ciencia #humano #inteligenciaartificial #geopolitica #
A humanidade entrou em 2026 cercada por guerras, algoritmos e medo nuclear. A inteligência artificial já participa da seleção de alvos militares. Satélites espionam continentes inteiros e exterminam populações em segundos. E governos que mal conseguem impedir enchentes ou blecautes climáticos falam diariamente em “equilíbrio estratégico” enquanto ampliam o arsenal. A humanidade tornou-se biologicamente, tecnologicamente e economicamente interdependente sem desenvolver maturidade política equivalente. Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. “Construímos um sistema nervoso planetário sem criar um cérebro político correspondente", afirma o bilionário norte-americano Peter Thiel, integrante do círculo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”. A Palantir desde 2003 tem propagado publicamente visões para a sociedade vistas por críticos como “tecnofacistas”. A guerra navega nas fronteiras e na tecnologia , enquanto grandes potências como a China e Rússia tem seus softwares, os EUA já avançam e lucram com os confrontos desumanos, usando a Palantir há muito tempo que divide opiniões, a empresa norte-americana desenvolve softwares de inteligência para prever e investigar crimes, utilizados por forças de segurança e agências de inteligência não só dos Estados Unidos, mas também em países como Reino Unido, Israel e Ucrânia. A Alemanha (já abandonou o uso), mas é empregado nos estados da Baviera, Hesse e Renânia do Norte-Vestfália, o software unifica e cruza dados como registros bancários, imagens e contatos, criando perfis de suspeitos em tempo real. Críticos afirmam, no entanto, que o uso massivo da inteligência artificial na busca dos suspeitos pode afetar indivíduos inocentes. Outros complicadores são a relação próxima que a Palantir teria com os serviços de inteligência americanos e o papel do seu fundador. A mudança climática talvez seja o exemplo mais devastador dessa contradição. O dióxido de carbono não reconhece os passaportes, a fumaça das queimadas não respeita as soberanias. O degelo do Ártico altera preços agrícolas no hemisfério sul. Um tufão no Pacífico desorganiza cadeias industriais em continentes inteiros. Mesmo assim, os governos continuam negociando como acionistas brigando pelo controle de uma embarcação já inclinada sobre o abismo. O mundo assiste à corrida tecnológica mais perigosa desde a bomba atômica. Empresas privadas acumulam poder computacional comparável ao de estados nacionais. Algoritmos influenciam eleições, manipulam emoções e organizam economias. Mas não existe estrutura internacional minimamente robusta para governar essa transformação. A humanidade tornou-se biologicamente, tecnologicamente e economicamente interdependente sem desenvolver maturidade política equivalente. Construímos um sistema nervoso planetário sem criar um cérebro político correspondente. A mudança climática talvez seja o exemplo mais devastador dessa contradição. O grande desafio histórico do nosso tempo é criar uma ideia de ordem internacional que não seja imperial, tecnocrática nem puramente mercantil. A paz mundial talvez seja menos um sonho filosófico do que uma exigência evolutiva. A alternativa já começou a aparecer diante dos olhos do planeta: crises simultâneas, sociedades emocionalmente exaustas, democracias fragilizadas, ecossistemas em colapso e tecnologias cada vez mais poderosas nas mãos de estruturas politicamente imaturas. O século XXI ainda não decidiu se será ponte ou precipício.
Fonte: @brasildefato @brasil247 @correiodobrasil @operamundi
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