terça-feira, 8 de setembro de 2026

Conecta 88

#ciencia #humano #mataatlantica #borboletas #preservar Borboletas da Mata Atlântica. Em dias ensolarados, o jardim das borboletas da Fundação José Pedro de Oliveira, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas (SP) , é um festival de cores e movimentos. Centenas de borboletas de variadas cores e espécies voam e pousam nas flores cultivadas especialmente para atraí-las. A bióloga Christiane Holvorcem coordena as pesquisas com as borboletas. Ela conta que a grande quantidade e variedade de espécies é resultado de um jardim planejado com esse objetivo: repleto de flores formando grandes manchas de algumas cores. "Isso facilita que a borboleta encontre as flores das cores que lhe atraem, já que elas usam a visão para identificá-las", explica. O borboletário está incrustado na Reserva Florestal Mata Santa Genebra, um dos últimos resquícios de Mata Atlântica no estado de São Paulo. "As borboletas acabam sendo, também, um instrumento de mobilização das pessoas para a conservação dessa mata", diz a bióloga. Os estudos sobre as borboletas na Fundação estão tornando-se referência na área. Os pesquisadores realizaram um censo em 2001 e registraram das 690 espécies que visitam a reserva, 200 frequentam o jardim das borboletas. Além disso, identificaram o horário de atividade de várias espécies. "Essa é uma informação importante para os pesquisadores planejarem seus estudos". Cristiane acrescenta que está em estudo, agora, o ciclo de vida de cinco espécies de borboletas que frequentam o jardim e são mantidas em cativeiro. " O estudo é diário, todos os dias da semana: acompanho desde a coleta do ovo, soltura e identificação do adulto para ser colocado dentro do viveiro, observo onde os ovos serão colocados e o tempo de eclosão depois da coleta", conta a bióloga Cynira Any Gabriel. Todas as borboletas são marcadas, para que seja possível identificar a origem de cada ovo, e depois são soltas dentro de um viveiro repleto de plantas, para observação dos pesquisadores. "No viveiro, cada espécie põe ovo em uma planta diferente. Fazemos, ainda, um tratamento diário para evitar a contaminação por fungos e ressecamento da folha que serve de alimento para as lagartas", conta Cynira. O objetivo é saber quanto tempo essas espécies vivem e descrever o ciclo de vida desde o ovo até a fase adulta, em ambientes confinados. Esses dados auxiliam no planejamento das pesquisas e permitem que criadores comerciais de borboletas não as retirem do ambiente natural. "Também fornece um modelo teórico para estudos de dinâmica de populações. Uma vez que temos as taxas de mortalidade sem a interferência do ambiente natural, temos um sistema puro onde nós podemos trabalhar a modelagem demográfica", complementa Christiane alerta, também, para a relação entre as borboletas e a preservação da Mata Santa Genebra: "O habitat da borboleta tem que ter um tipo de planta que o inseto adulto frequenta, e outro que alimenta a lagarta. Se o número de determinada espécie cresce ou diminui muito, isso é um indício de que algo está ocorrendo na floresta". O Brasil tem a maior diversidade de borboletas do mundo, com mais de 3.700 espécies identificadas, uma riqueza que representa mais de 60 por cento de todas as espécies de borboletas conhecidas, concentrada num único país. O Vale do Ribeira (PETAR, Intervales, Carlos Botelho e áreas de Mata Atlântica entre Apiaí, Iporanga e Eldorado) é um dos lugares mais ricos do Brasil para observação de borboletas. Abaixo está um guia ilustrado com 30 espécies muito representativas da região, organizado por grupos para facilitar o uso em educação ambiental, turismo e trilhas interpretativas. A distribuição desta diversidade tem um padrão que é ao mesmo tempo fascinante e preocupante do ponto de vista da conservação: a maioria das espécies não vive no interior da floresta densa nem em áreas completamente abertas, mas nos ambientes de transição como bordas de floresta, clareiras naturais, margens de rios e áreas de vegetação variada. A Morpho azul é provavelmente a mais conhecida internacionalmente: o azul vívido das asas não resulta de pigmento mas de microestruturas em escama que difractam apenas os comprimentos de onda azuis da luz, uma iridescência estrutural que a torna invisível de certos ângulos e brilhante de outros, um sistema de sinalização e de reconhecimento de espécie. A borboleta-carteiro (Heliconius) é um dos casos mais estudados em biologia evolutiva: é venenosa, e o seu padrão vermelho-preto é reconhecido e evitado por predadores que aprenderam a associar as cores ao sabor desagradável. A asa-de-vidro (Greta oto) tem asas praticamente transparentes, sem as escamas coloridas que caracterizam a maioria das borboletas, a transparência é em si mesma uma forma de camuflagem que a torna quase invisível em repouso sobre folhagem. As borboletas têm papel fundamental para a natureza e ecossistema, listamos a seguir algumas maneiras interessantes de como a borboleta ajuda a natureza: Base de cadeia alimentar: A principal colaboração das borboletas ao ecossistema é servir como base de cadeia alimentar. As borboletas servem de alimento para pássaros, formigas, aranhas, louva-a-deus, sapos, macacos, lagartos, lagartixas e muitas outras espécies de animais. É possível notar então que as borboletas contribuem com a sobrevivência de diversas outras espécies de animais e que seu desaparecimento e um ecossistema que poderia acarretar um imenso desequilíbrio para a natureza por falta de alimento para diversas espécies. Indicador de vegetação preservada: De um modo geral, se há borboletas em um lugar é porque a vegetação e a natureza local está bem preservada e é saudável. É o que nos aponta uma matéria do The Ecologist¹. Isso faz sentido pois como as borboletas se alimentam diretamente de vegetais como néctar das flores e frutas em decomposição, ela precisa então da presença desses itens em um ambiente para sobreviver. Sendo assim, a presença da borboleta em um local indica para os seres humanos que aquele lugar deve ser preservado, tendo em vista que ambientes naturais e saudáveis estão raros nos dias de hoje por conta do desmatamento e das queimadas das florestas e matas. Polinização: A borboleta em sua fase adulta se alimenta do néctar das flores, ao se alimentar o pólen do néctar dessas flores fica preso às asas da borboleta que, ao batê-las enquanto voa, espalha esse mesmo pólen pelos lugares onde passa, fazendo assim com que novas flores nasçam. A esse processo damos o nome de polinização. Ela é importante porque colabora com a reprodução e manutenção de diversas espécies agrícolas, posto que a maioria das plantas precisa de agentes polinizadores para se reproduzir. Conclusão: Sem as borboletas a natureza inteira entraria em colapso, um verdadeiro “efeito borboleta” ocorreria no planeta! Primeiramente porque muitos animais perderiam uma importante fonte de alimento, comprometendo assim toda a cadeia alimentar. Em segundo lugar porque o homem perderia um importante indicador de áreas ambientalmente preservadas e -por último mas não menos importante- a natureza ficaria sem um dos seus agentes polinizadores. Esses pequenos animais são fundamentais para a sobrevivência do planeta inteiro.A importância das borboletas para o meio ambiente vai muito além da beleza, apesar de evocarem imagens de sol e de campos floridos. Mas elas estão cada vez mais ameaçadas. Como resultado, só no Reino Unido quatro espécies desapareceram nos últimos 150 anos . É provável que o aquecimento global, muitos mais casos podem ocorrer. Por isso as borboletas são um importante indicador sobre a precariedade do nosso meio ambiente. Seus habitats foram destruídos em grande escala no mundo inteiro. Além disso, com as mudanças nos padrões de clima , o risco aumenta a cada dia. O uso desenfreado de agrotóxicos torna o cenário ainda mais preocupante. A menos que façamos algo, o risco de extinguir cada vez mais espécies de borboletas se torna mais real. A importância das borboletas é muito grande e sua presença é fundamental para a nossa sobrevivência. Fonte: borboletariodesaopaulo.com.br Fonte: SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

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