quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Conecta 93
#ciencia #humano #macauba #energialimpa #biocombustivel
A Bahia vai sediar a primeira operação contratada da Chamada Nordeste. A Acelen Industrial, do grupo Mubadala Capital, vai construir uma biorrefinaria de combustíveis sustentáveis em São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano. O BNDES aprovou financiamento de R$503 milhões para o projeto, que soma investimento total de R$7 bilhões, com operação prevista para 2029. A planta vai começar processando óleo de cozinha usado e óleo de soja, mas o destaque fica por conta da macaúba, palmeira nativa do Brasil, com forte presença no Nordeste, que será incorporada como matéria-prima nas próximas fases. Segundo a Acelen, a espécie tem a capacidade de transformar pastagens degradadas em verdadeiras “florestas de energia”. O plano de expansão prevê 180 mil hectares de terras restauradas entre Bahia e norte de Minas Gerais, metade para plantio de macaúba, 30% para preservação ambiental e 20% reservados à agricultura familiar, em sistema consorciado com pastoreio e outras culturas alimentares. Os acordos com a Embrapa projetam 90 mil empregos ao longo da cadeia produtiva e geração de R$7,4 bilhões em renda por ano para as populações do semiárido nordestino. A empresa já tem 500 hectares plantados no Recôncavo Baiano e investiu R$300 milhões em um centro de mudas em Montes Claros (MG), com capacidade para 10 milhões de mudas por ano. O projeto integra a Chamada Nordeste, que atualmente reúne 41 projetos em andamento, somando R$51 bilhões e que, no total já recebido desde o lançamento, soma 245 propostas e R$127,8 bilhões em investimentos potenciais para a região. A macaúba é uma palmeira nativa do Brasil altamente resiliente a secas, sendo considerada o "boi vegetal" pela capacidade de aproveitamento total de seus frutos. Recuperação Ambiental: O plano foca no cultivo de 180 mil hectares em terras pastáveis degradadas entre o Recôncavo Baiano e o norte de Minas Gerais, ajudando a capturar carbono sem competir com terras voltadas à produção de alimentos. Os combustíveis renováveis produzidos: A biorrefinaria terá capacidade de processar 1 bilhão de litros de biocombustíveis por ano utilizando a avançada tecnologia HEFA (Hidroprocessamento de Ésteres e Ácidos Grossos). Serão gerados dois produtos principais de alto valor agregado: SAF (Sustainable Aviation Fuel): O querosene de aviação sustentável. É a grande aposta global para descarbonizar o setor aéreo, reduzindo as emissões de CO 2 em até 80% em comparação ao combustível fóssil comum. Diesel Verde (HVO - Hydrotreated Vegetable Oil): Diferente do biodiesel comum (que é misturado ao diesel de petróleo), o HVO é um combustível totalmente "drop-in". Ele possui exatamente a mesma molécula que o diesel fóssil, permitindo que caminhões, ônibus e maquinários pesados utilizam 100% de diesel verde puro sem precisar de qualquer adaptação ou troca de motores. A planta possui uma plasticidade ecológica imensa, ocorrendo naturalmente em quase todo o Brasil e em grande parte do estado de São Paulo. A avaliação técnica para a região do Alto Vale do Ribeira é viável pois apresenta muitos pontos favoráveis e limitações. Projeto Conexão Mata Atlântica (São Paulo). Este é um dos programas públicos mais relevantes e práticos envolvendo a espécie. Financiado com recursos internacionais e coordenado pelo governo do Estado de São Paulo, o projeto criou o edital "PSA Uso Múltiplo-Macaúba" que oferece Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para produtores rurais de municípios do Vale do Paraíba paulista (uma região vizinha e de características climáticas similares ao Vale do Ribeira). Objetivo: Estimular financeiramente os fazendeiros a implantarem sistemas silvipastoris e agroflorestais, integrando o plantio comercial da macaúba com pastagens e recuperação de encostas degradadas do bioma. Via: nordestedoagro #conexaomataatlantica #vidanocampo
Conecta 92
#ciencia #humano #Autodiagnóstico #medicina #remedios
Qual o grande problema de procurar receitas e remédios pela internet?
O grande problema é que a internet pode transformar uma informação de saúde em uma falsa sensação de diagnóstico. Encontrar uma receita ou um “remédio natural” é fácil, saber se aquilo realmente serve para aquela pessoa é outra história. Os principais riscos, o auto diagnóstico: sintomas parecidos podem ter causas completamente diferentes. Dose errada: uma substância pode ser útil em determinada quantidade e perigosa em outra. Interações: medicamentos, plantas, suplementos e alimentos podem interferir uns nos outros. Contraindicações: gravidez, idade, doenças prévias e outras condições podem mudar completamente a segurança de um tratamento. Informação sem fonte: muitas receitas circulam sem estudos científicos ou sem indicar quem deve ou não utilizá-las. Atraso no atendimento: tentar tratar algo em casa pode fazer a pessoa procurar ajuda profissional tarde demais. Confundir “natural” com “inofensivo”: plantas medicinais também possuem substâncias químicas e podem produzir efeitos adversos. Conteúdo criado para vender: alguns sites e redes sociais apresentam determinado produto como solução para estimular a compra. A ideia central poderia ser mostrar que pesquisar sintomas na internet pode ser útil para aprender, mas não deve substituir avaliação profissional. A internet pode ajudar a formular perguntas para um médico, farmacêutico ou outro profissional habilitado, mas não deve ser usada como uma “consulta médica automática”. E existe um ponto especialmente interessante para a Conecta: a mesma tecnologia que democratiza o acesso ao conhecimento também facilita a circulação de desinformação sobre saúde. O desafio é aprender a separar informação, evidência e propaganda. As redes sociais podem influenciar bastante a compra de medicamentos sem prescrição porque transformam uma informação de saúde em recomendação de consumo. Um vídeo curto pode fazer uma pessoa pensar: “Se funcionou para ele, vai funcionar para mim”. Alguns mecanismos são especialmente importantes: Influenciadores: relatos pessoais podem parecer mais confiáveis do que uma informação técnica, mesmo quando não existe evidência de que o produto funcione para aquela situação. Depoimentos e “antes e depois”: criam a impressão de que determinado medicamento ou produto produz resultados garantidos. Algoritmos: quando alguém demonstra interesse por um determinado assunto, pode receber cada vez mais conteúdos semelhantes, criando uma espécie de “bolha” de recomendações. Publicidade disfarçada: conteúdos comerciais podem parecer com uma experiência pessoal ou uma dica de saúde.
Urgência e medo: mensagens como “você precisa saber disso” ou “não deixe esse sintoma evoluir” podem estimular decisões rápidas, questões médicas complexas são reduzidas a frases como “tome isso para resolver aquilo”. Confiança entre usuários: comentários e grupos podem funcionar como uma espécie de “boca a boca digital”. O perigo maior
não é simplesmente comprar um medicamento sem receita. O risco é tomar uma decisão terapêutica sem saber se aquele produto é adequado para o problema, para a dose, para a idade ou para as condições daquela pessoa. Além disso, a automedicação pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico de uma doença.
“Antes de perguntar à internet qual remédio tomar, não deveríamos perguntar quem está por trás daquela recomendação?” Claro. Quando pesquisamos sobre dor, emagrecimento, ansiedade, gripe, vitaminas ou qualquer outro assunto relacionado à saúde, podemos começar a receber cada vez mais conteúdos sobre este tema.
Isso pode criar a impressão de que determinada solução está em toda parte, portanto, de que deve funcionar. Procurar um posto de saúde é a melhor solução!
Mas a popularidade não é evidência científica.
Um vídeo com milhões de visualizações não equivale a um estudo clínico. Um depoimento pessoal não substitui uma avaliação profissional. E muitos comentários positivos não garantem que um medicamento seja adequado para outra pessoa. O medicamento que funcionou para um pode não funcionar para outro. A automedicação não é um fenômeno criado pelas redes sociais. Ela já existia muito antes da internet. Dados reunidos em estudos sobre a população brasileira mostram que a automedicação é uma prática relevante e envolve frequentemente medicamentos isentos de prescrição. A Anvisa também alerta que medicamentos de venda livre, embora possam ser utilizados para determinados sintomas quando usados corretamente, não são isentos de riscos. O problema das redes sociais é que elas podem acelerar e ampliar a circulação dessas recomendações. Uma experiência individual pode ser transformada em conselho para milhares de pessoas. E existe outro problema: quem está vendendo? Nem toda recomendação é apenas uma opinião. Pode existir publicidade, patrocínio, venda direta ou até golpe por trás de determinado conteúdo. Em 2026, a própria Anvisa alertou sobre produtos e práticas divulgados nas redes sociais, incluindo propagandas irregulares de medicamentos e ofertas de substâncias que apresentam riscos quando utilizadas sem orientação adequada.
A Agência também orienta a população a verificar as credenciais dos profissionais que produzem conteúdo de saúde e alerta que medicamentos não devem ser comercializados por pessoas físicas, redes sociais ou canais não autorizados.
A pergunta não deveria ser apenas “funciona?”
Quando encontramos uma receita ou recomendação na internet, outras perguntas são muito mais importantes:
Para quem funciona?
Em qual situação?
Qual é a dose correta?
Existem contraindicações?
Pode interagir com outro medicamento?
Quem produziu essa informação?
Existe evidência científica?
Existe interesse comercial por trás da recomendação?
Essas perguntas transformam o usuário da internet de simples consumidor em alguém capaz de avaliar criticamente uma informação.
A internet pode ajudar — mas não deve prescrever
Pesquisar sobre saúde pode ser útil.
Podemos aprender o significado de um sintoma, conhecer uma doença, entender um medicamento e chegar a uma consulta com as melhores perguntas.
O problema começa quando a pesquisa vira diagnóstico e a recomendação vira receita.
A internet pode informar. O algoritmo pode recomendar. Mas isso não significa que qualquer recomendação seja adequada para você. Vivemos em uma época em que temos acesso a mais informação do que qualquer geração anterior. O desafio não é apenas encontrar informação. É descobrir em qual informação podemos confiar.
Antes de comprar um medicamento porque apareceu no seu feed, pare e pense:
Estou recebendo uma informação de saúde ou uma recomendação de consumo?
Essa diferença pode ser pequena na tela, mas pode ser enorme para a saúde.
“Popularidade não é evidência científica.”
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