segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Conecta 83
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Usina da USP gera bioenergia e biofertilizantes a partir de resíduos orgânicos. O modelo desenvolvido pelo Instituto de Energia e Ambiente oferece uma solução para a gestão de resíduos de municípios e empresas, transformando o material orgânico que seria descartado em aterros sanitários em energia elétrica, biometano e fertilizantes.
Pesquisadores da USP inauguraram uma usina que transforma resíduos orgânicos, como restos de alimentos e resíduos agroindustriais, em eletricidade, biometano e biofertilizantes. A iniciativa demonstra, na prática, como a ciência pode reduzir impactos ambientais e transformar resíduos em recursos valiosos para a sociedade. O projeto, desenvolvido pelo Instituto de Energia e Ambiente (IEE-USP), utiliza o processo de digestão anaeróbia, no qual microrganismos decompõem a matéria orgânica na ausência de oxigênio. Durante esse processo é produzido o biogás, que pode ser utilizado para gerar energia elétrica ou refinado em biometano, um combustível renovável capaz de substituir o diesel e o gás natural em diversas aplicações. Além da produção de energia, o sistema gera biofertilizantes ricos em nutrientes, que podem ser utilizados na agricultura para melhorar a fertilidade do solo e reduzir a dependência de fertilizantes minerais. Com isso, diminuem-se os resíduos enviados aos aterros sanitários, as emissões de gases de efeito estufa e os custos associados ao descarte de resíduos orgânicos. Atualmente, a usina processa cerca de 25 toneladas de resíduos por dia, com capacidade licenciada para atingir 43 toneladas diárias. O modelo pode ser replicado por municípios, indústrias alimentícias, supermercados, centrais de abastecimento e grandes restaurantes, fortalecendo a economia circular, a bioeconomia e a produção de energia renovável no Brasil. Mais do que uma solução para o tratamento de resíduos, essa tecnologia mostra que é possível transformar um problema ambiental em energia limpa, fertilizantes e desenvolvimento sustentável, aproximando o país de uma economia de baixo carbono. O modelo tecnológico desenvolvido pela USP está apto a ser adotado por prefeituras, regiões metropolitanas e por grandes geradores de resíduos da cadeia alimentar, como indústrias alimentícias, centrais de abastecimento e restaurantes. A planta foi planejada para operar majoritariamente com resíduos alimentares, mas também pode ser abastecida com resíduos orgânicos da agroindústria e resíduos alimentares externos.
Os pesquisadores estimam que 300 usinas como essa do IEE seriam capazes de tratar todo o volume de resíduos orgânicos domésticos gerados na cidade de São Paulo; 600 seriam o suficiente para atender todo o Estado e 3 mil, todo o País.
Um desafio enfrentado pelo projeto é a regulamentação. A usina foi a primeira operação que utiliza essa tecnologia a ser licenciada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Também obteve registro como produtora de material secundário no Ministério da Agricultura e Pecuária e está em conformidade com as determinações da SP Regula, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo responsável, entre outras coisas, por gerir e fiscalizar os serviços de coleta domiciliar de resíduos na capital paulista. Ao transformar o que antes era desperdício em luz para as casas, combustível limpo para as cidades e vida nova para a nossa terra, essa usina prova que o futuro sustentável não é um sonho distante, mas uma realidade que respira e renova a qualidade de vida de todos nós a cada novo amanhecer.
Fontes: Jornal da USP - Instituto de Energia e Ambiente (IEE-USP).
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