quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Conecta 84
#ciência #MataAtlantica #guardaparques #incendios #PicodaCaledônia
O Dia Mundial do Guarda-parques foi 31 de julho, mas devemos lembrá-lo sempre e deixar nosso respeito e agradecimentos para esses verdadeiros guerreiros contra os incêndios e desmatamento das nossas riquezas naturais. Os Guarda-parques (GPs) são os guardiões das Unidades de Conservação (UCs) e exercem um trabalho essencial para a proteção e manutenção das mesmas. São os primeiros a chegarem no combate ao fogo nos incêndios dentro das UCs. Fazem a fiscalização e promovem a conscientização e educação ambiental dos visitantes. Realizam palestras em escolas e universidades levando conhecimento da importância de se ter áreas naturais preservadas. Ajudam na pesquisa científica apoiando pesquisadores e muitos GPs atuam como pesquisadores nas UCs em que estão lotados.
O Brasil registrou 6.284 focos de incêndio ao longo do último mês de julho, de acordo com os dados consolidados do sistema BDQueimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Apesar de o número representar uma queda de 35,9% em relação a julho do ano passado, o país entra agora em agosto no período mais crítico da temporada de seca, com novos focos ativos sendo monitorados diariamente via satélite. O Cerrado é atualmente o bioma mais atingido do país, concentrando 3.380 focos (mais da metade do total nacional). Vamos destacar o trabalho dos heróis no resgate do Pico da Caledônia, pois a visitação está temporariamente suspensa devido a um incêndio florestal de grandes proporções que atingiu a montanha. Quem olha de longe para o imponente Maciço da Caledônia, desenhado contra o céu de Nova Friburgo (RJ), muitas vezes esquece que aquela imensidão de pedra e verde pulsa vida. Uma vida frágil, que nos últimos dias esteve severamente ameaçada por um incêndio devastador. Diante das chamas que consumiram mais de 30 hectares de Mata Atlântica e campos de altitude, uma força humana exemplar se agigantou para salvar o coração do Parque Estadual dos Três Picos. Falamos aqui, com profunda reverência, dos nossos guarda-parques. Enquanto a maioria de nós acompanhava as notícias com aperto no coração do conforto de nossas casas, esses profissionais enfrentam o perigo real. Combater o fogo em uma montanha com mais de 2.200 metros de altitude não é apenas uma questão de força mecânica, é um teste extremo de resistência física, técnica e coragem. Subir encostas íngremes carregando equipamentos pesados, respirar a fumaça densa sob o vento forte da serra e encarar o calor sufocante exige uma bravura que ultrapassa as obrigações do ofício. É puro amor à terra, o trabalho do guarda-parque é por natureza, um exercício de doação silenciosa. Eles são os primeiros a chegar e os últimos a sair. Quando o foco principal finalmente é extinto, o trabalho deles continua na exaustiva e meticulosa etapa de rescaldo, revirando a terra quente para garantir que o gigante não volte a queimar. Eles não protegem apenas árvores, protegem as nascentes que abastecem nossas cidades, o refúgio da onça-parda e o ecossistema único que faz da nossa região um patrimônio inestimável. A destruição criminosa provocada pela ação humana nos revolta, mas a resposta imediata desses defensores da natureza nos devolve a esperança. O mais cruel é saber que esses incêndios são criminosos e acontecem em todo o país. Se o Pico da Caledônia ainda se ergue altivo, pronto para se regenerar, é porque homens e mulheres colocaram suas vidas em xeque pela preservação do coletivo. Às equipes do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), aos guarda-parques e a todos os voluntários e bombeiros que sangraram e suaram no topo da montanha neste início de agosto, a natureza e as cidades devem a vocês um eterno muito obrigado. Vocês são os verdadeiros guardiões do nosso teto do mundo. Sem os guarda-parques seria impossível manter as Unidades de Conservação. Um viva para os Guarda-parques!
Preservar a natureza e a cultura dos povos ribeirinhos é o melhor investimento.
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