sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Conecta 40

#ecologia #inverno #brumação #torpor #hibernação #butantan Com a chegada do frio, é comum algumas espécies de répteis e mamíferos ficarem mais lentas e sonolentas, muitas vezes chegando a dormir por meses a fio, sem acordar pra nada! Essas estratégias de sobrevivência ao inverno se dividem em três tipos, de acordo com a “profundidade” do sono, Hibernação, Brumação e Torpor. “O objetivo desses mecanismos é fazer com que os animais economizem energia para enfrentar o frio e a falta de alimento durante os meses de baixas temperaturas”, explica a bióloga do Laboratório de Ecologia e Evolução (LEEv) do Butantan, Myriam Elizabeth Velloso Calleffo. Se você também faz parte do time que sofre para sair da cama nas manhãs frias, apelando para o clássico “só mais cinco minutinhos” enquanto se esconde nas profundezas das cobertas, vale a pena conhecer e, por que não invejar as sonecas mais comuns do reino animal durante o inverno, entenda por que alguns bichos adotam o “modo soneca” durante o inverno. Estratégias são utilizadas por espécies do reino animal para economizar energia e garantir a sobrevivência durante o período de baixas temperaturas, quando há pouca disponibilidade de alimentos. Com a chegada do frio, é comum algumas espécies de répteis e mamíferos ficarem mais lentas e sonolentas, muitas vezes chegando a dormir por meses a fio, sem nem mesmo acordar para fazer xixi ou cocô. Confira: Hibernação: o sono profundo dos mamíferos. Até pouco tempo, o termo “hibernação” era usado para todos os animais que ficam mais “preguiçosos” durante os meses de frio, sem diferenciar aqueles que caem em sono profundo dos que fazem um cochilo mais leve. A preparação para a hibernação começa meses antes, ainda no calor, quando a oferta de alimentos é alta e os animais enchem a pança para fazer uma “reserva de energia”. Brumação: o cochilo leve dos répteis, serpentes, lagartos, tartarugas, cágados, jabutis, crocodilos e jacarés são animais ectotérmicos. Isso significa que eles não regulam a temperatura automaticamente, e dependem do calor do lugar onde vivem para ficarem quentes ou se refrescar, diferente dos mamíferos e das aves, que são endotérmicos e conseguem manter o calor do corpo. Essa particularidade na regulação da temperatura influencia a distribuição e o comportamento das espécies, sendo que algumas delas apresentam “truques” para aumentar ou diminuir a temperatura do organismo. Os répteis, por exemplo, costumam ficar confortáveis quando o ambiente está entre 23 e 26 graus. Por isso, na natureza, é comum encontrá-los “lagarteando, jiboiando ou jacarezando ao sol”, conhecia essas expressões? Eles buscam um lugar ao sol para regular a temperatura do corpo nas praias, rios e, principalmente, sobre troncos, pedras ou rochas, que costumam esquentar rapidamente com os raios solares. Nos dias frios, quando esses bichos não conseguem se aquecer, eles procuram um abrigo. Lá, eles mantêm a temperatura baixa para economizar energia e diminuem o ritmo respiratório e cardíaco, adotando uma estratégia de sobrevivência conhecida como brumação. “Trata-se de um estado de dormência, menos profundo que a hibernação. Nele, os répteis são capazes de despertar, chegando a sair da toca para tomar sol, beber água e, em alguns casos, se alimentam quando estão ativos, uma vez que não possuem grande estoque energético”. A estratégia pode ser observada entre teiús, jabutis, iguanas e tartarugas, que “cochilam” por vários dias ou semanas nas épocas mais frias do ano. No Brasil, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde o inverno tem dias de temperatura amena pela manhã e momentos mais quentes à tarde, a prática é comum. Torpor: a soneca estratégica. Quando o mar não está para peixe, ou melhor, quando o inverno está rigoroso e os animais passam longos períodos sem comer, algumas espécies acabam entrando em torpor: um estado de baixa atividade e diminuição da temperatura corporal que acontece com ursos, gambás, guaxinins e beija-flores. Assim como na hibernação, os bichos em torpor respiram lentamente e têm batimento cardíaco baixo. Eles entram nesse “modo” quase que sem perceber, devido às condições do ambiente onde vivem, a fim de economizar energia por causa do frio e da falta de alimento. Em outras situações, o estado dura apenas algumas horas. O beija-flor, por exemplo, pode entrar em torpor todas as noites, apesar de ser muito ativo durante o dia. No modo “reserva”, a ave consegue “resfriar” o corpo e quando precisa ficar quentinha novamente, bate as asas inúmeras vezes, aumentando seu fluxo sanguíneo. Confira reportagem na íntegra: Natasha Pinelli - @InstitutoButantan

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